Edino Krieger

Edino Krieger

1928 - 2022

Nascido em Brusque (1928), Estado de Santa Catarina, transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1943. Ingressou no Conservatório Brasi­leiro de Música, na classe de violino (que estudou com o pai desde cedo) e, no ano seguinte, tornou-se aluno de Koellreutter. Es­tudou, mais tarde, nos Estados Unidos, com Aaron Copland e Peter Menin, com Krenek, em Teresópolis (curso intensivo de Compo­sição), e com… Nascido em Brusque (1928), Estado de Santa Catarina, transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1943. Ingressou no Conservatório Brasi­leiro de Música, na classe de violino (que estudou com o pai desde cedo) e, no ano seguinte, tornou-se aluno de Koellreutter. Es­tudou, mais tarde, nos Estados Unidos, com Aaron Copland e Peter Menin, com Krenek, em Teresópolis (curso intensivo de Compo­sição), e com Lennox Berkeley, em Londres. Participou com José Siqueira da organização da “Ordem dos Músicos do Brasil”, organizou a programação musical das rádios MEC e JB, e os primeiros concursos corais pela última promovidos. Foi crítico musical e idealizou e organizou os “Fes­tivais de Música da Guanabara” e as “Bienais de Música Brasileira Contemporânea”. Foi diretor do Instituto Nacional de Música/ FUNARTE e é, desde 1998, Presidente da Academia Brasileira de Música, onde ocupa a cadeira nº 34. De sua obra sinfônica destacam-se, dentre outras, Abertura brasileira Suíte e Divertimento, ambas para cordas, Ludus Symphonicus, Toccata, Canticum Naturale, para soprano e orquestra, Estro armônico e o Concerto para 2 violões e cordas. Fonte: Academia Brasileira de Música (www.abmusica.org.br)_______________________________________EDINO KRIEGER – BIOGRAFIA (fornecida pelo compositor em 3/2012)Nascido em Brusque, no estado de Santa Catarina, Brasil, a 17 de março de 1928, descendente de alemães e italianos do lado paterno e de portugueses e índia do lado materno. Iniciou aos 7 anos estudos de violino com seu pai, Aldo Krieger (1903-1972), violinista, compositor, regente e fundador do conservatório de música local. Deu recitais de violino em diversas cidades a partir dos 9 anos e, aos 14, transferiu-se para o Rio de Janeiro, com bolsa do governo do estado de Santa Catarina, para prosseguir seu aprendizado no Conservatório Brasileiro de Música, onde iniciou estudos de contraponto, harmonia e composição com Hans-Joachim Koellreutter, compositor e professor alemão chegado ao Brasil no período da 2ª Guerra Mundial. Em 1945 recebeu o Prêmio Música Viva por seu trio de sopros Música 1945, passando então a integrar o Grupo Música Viva de compositores de vanguarda, ao lado de Koellreutter, Cláudio Santoro, Guerra-Peixe e Eunice Catunda. Em 1948 foi escolhido em concurso para estudar com Aaron Copland no Berkshire Music Center de Massachussets, nos Estados Unidos, onde assistiu também aulas de Darius Milhaud. Em seguida, estagiou por um ano na Juilliard School of Music de Nova York, na classe de composição de Peter Mennin. Estudou também violino com William Nowinsky, assistente de Ivan Galamian, na Henry Street Settlement School of Music. Representou a Juilliard no Simpósio de Compositores dos Estados Unidos e Canadá, realizado em Boston, e atuou como violinista da Mozart Orchestra de Nova York. Retornando ao Brasil em 1949, iniciou uma atividade permanente como produtor de programas musicais para a Rádio Ministério da Educação, onde exerceu a função de Diretor Musical e organizou a Orquestra Sinfônica Nacional. De 1950 a 1952 exerceu a crítica musical do jornal Tribuna da Imprensa. Em 1952 realizou estudos com Ernst Krenek no III Curso Internacional de Verão de Teresópolis (RJ). Em 1955 obteve o Prêmio Internacional da Paz do Festival de Varsóvia (pela canção If We Die, sobre texto de Ethel Rosenberg) e o Prêmio da Fundação Rottelini de Roma. Como bolsista do Conselho Britânico, estudou em Londres durante um ano com Lennox Berkeley, da Royal Academy of Music. Em 1959 obteve o primeiro prêmio no I Concurso Nacional de Composição instituído pelo Ministério da Educação com a peça Divertimento, para cordas, e recebeu Medalha de Honra do Cinqüentenário do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 196l seu Quarteto nº 1, para cordas, obteve o Prêmio Nacional do Disco. Em 1965 suas Variações Elementares foram estreadas no III Festival Interamericano de Música de Washington; no ano seguinte, seu Ludus Symphonicus era estreado pela Orquestra de Filadelfia no III Festival de Música de Caracas, Venezuela. Em 1967 e 1968 obteve Medalha de Ouro (4º lugar) nos Festivais Internacionais da Canção, no Rio de Janeiro, com Fuga e Anti-Fuga (letra de Vinícius de Moraes) e Passacalha, respectivamente. Em 1969 e 1970 criou, organizou e dirigiu os Festivais de Música da Guanabara, dos quais se originaram, a partir de 1975, as Bienais de Música Brasileira Contemporânea (que ele dirigiu até a sua 12ª edição em 1997). Em 1969 e 1988 recebeu o Troféu Golfinho de Ouro pelo conjunto de sua obra. Sua evolução estética parte do impressionismo do Improviso para flauta (1944) para alcançar o serialismo com o trio de sopros Música 1945. Em 1952 abandona o serialismo em favor de uma experimentação mais profunda das formas e linguagens tradicionais e da temática musical de caráter brasileiro. Em 1965, com as Variações Elementares, inicia uma síntese de suas experiências anteriores, passando a utilizar recursos de vanguarda e tradicionais, juntamente com elementos absorvidos da cultura musical brasileira. Edino Krieger foi diretor da Divisão de Música Clássica da Rádio Jornal do Brasil e exerceu a crítica musical nos jornais Tribuna da Imprensa e Jornal do Brasil. Em 1976 assumiu a direção artística da Fundação de Teatros do Rio de Janeiro (FUNTERJ); nessa função organizou a temporada de reabertura do Theatro Municipal e o Centro de Produções Teatrais de Inhaúma. Em 1979 criou o Projeto Memória Musical Brasileira (Pro-Memus) junto ao Instituto Nacional de Música da Fundação Nacional de Arte (FUNARTE) do Ministério da Cultura. De 1981 a 1989 exerceu a direção do Instituto Nacional de Música. Em 1989 assumiu a presidência da FUNARTE. Em junho de 2000 Edino Krieger esteve na Alemanha, onde desenvolveu as seguintes atividades: conferências sobre música brasileira na Freie Universitaet Berlin; e participação no Festival Brasil 500 anos, promovido pela Escola Superior de Música de Karlsruhe, onde, além de participar de palestras e mesas redondas, assistiu à execução de 6 de suas obras. Em 2002 fez um estágio de dois meses como compositor visitante junto à Universidade de Música de Karlsruhe. Em fevereiro de 2003 foi nomeado Presidente da Fundação Museu da Imagem e do Som, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro. Em 2005 ocupava, além deste cargo, o de presidente da Academia Brasileira de Música (em seu terceiro mandato). Exerceu ainda, no ano de 2004, o cargo de diretor da Sala Cecília Meireles (no Rio de Janeiro). Durante o mês de julho de 2006, foi o compositor residente do 37º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão (SP). Além de dar palestras, participar de debates e ouvir suas obras executadas por diversos artistas, pôde conferir nesta ocasião a estréia mundial de sua peça Ritmetrias (Variantes rítmicas sobre um metro contínuo), composta no início daquele ano especialmente para o evento. Seu catálogo inclui obras para orquestra sinfônica e de câmara, oratório, música de câmara, obras para coro e para vozes e instrumentos solistas, além de partituras incidentais para teatro e cinema. Suas composições têm sido executadas com freqüência no Brasil e no exterior, inclusive por orquestras do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Recife, Bahia, Belo Horizonte, Liège, Bruxelas, Paris, Londres, Munique, Buenos Aires, Córdoba, Nova York, Filadélfia e Washington. Em Tóquio, em 1996, recebeu uma semana de homenagens, realizando seis palestras e tendo suas músicas – tanto as de câmara quanto sinfônicas – tocadas por músicos japoneses. Tem atuado também como regente, principalmente de suas próprias obras. Edino Krieger tem uma biografia escrita pela musicóloga e professora Ermelinda A. Paz. O livro será lançado em 17 de março do presente ano, 2012, dia do aniversário de 84 anos do compositor, com um concerto comemorativo no Salão Leopoldo Miguez da Escola de Música da UFRJ. Na obra (publicada pelo SESC), a autora enfoca, além das histórias pessoais, as diversas faces do biografado: o crítico musical, o produtor cultural e o compositor. Traz ainda um catálogo temático com a obra completa do músico.Novas composiçõesSua produção mais recente inclui as 3 Imagens de Nova Friburgo (1988), para cordas e cravo; o Romance de Santa Cecilia (1989), para narrador, soprano, coro infantil e orquestra; a Camerata (1994), para 6 instrumentos; o Concerto para dois violões e cordas (1993/94), dedicado a Sérgio e Odair Assad, que atuaram como solistas da estréia mundial em Nova York em 1996; as Telas Sonoras (1997), para quarteto de cordas; o Te Deum Puerorum Brasiliae (1997), para coro infantil, coro juvenil, coro gregoriano, metais e percussão, elaborado com a utilização simultânea de 3 sistemas modais que contribuíram para a formação da cultura musical brasileira – o gregoriano, o indígena e o nordestino –, composto para as comemorações oficiais da visita de S. S. o Papa João Paulo II ao Rio de Janeiro, em 1997; Embalos, para quinteto de sopros (1999); Passacalha para o Novo Milênio, para orquestra (1999); e Terra Brasilis, painel sinfônico (1999),comissionado pelo Ministério da Cultura para as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil (2000), obra estreada em Porto Seguro, na Bahia, pela Orquestra Sinfônica da Bahia, sob a regência de Henrique Morelenbaum, no dia 22 de abril de 2000, como parte das comemorações oficiais do V Centenário do Descobrimento. Em maio de 2000 finalizou a criação e a gravação da trilha sonora do longa-metragem sobre a vida do escultor mineiro Aleijadinho, a convite do cineasta Geraldo Santos Pereira, com quem já havia trabalhado em outros dois filmes: “O Seminarista” (1977) – Prêmio Governador do Estado de São Paulo em 1978 para a melhor partitura de cinema – e “O Sol dos Amantes” (1979). Sob encomenda da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) compôs em 2000, com poema de Carlos Nejar, para festejar os 80 anos da instituição, a cantata A Era do Conhecimento para orquestra sinfônica, tenor, coro infantil e coro misto, que teve sua estréia em 1o de dezembro daquele ano no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Compôs ainda os Estudos Intervalares para piano em 2001 e, no ano de 2005, assistiu às estréias de suas obras Fanfarras Modulares (2005) e Variações Carnavalescas para marimba (2004), ambas no Rio de Janeiro, e Pequena Seresta para Bach (2004), para violoncelo solo, esta última estreada em São Paulo por Antonio Meneses. Sua obra Concerto para violoncelo e orquestra (2005), dedicada ao próprio Meneses, foi também estreada pelo violoncelista e pela Orquestra Sinfônica Brasileira no Theatro Municipal do RJ em setembro de 2007. Entre as suas mais novas criações estão a Suíte Concertante para violão e orquestra (2005), dedicada a Turíbio Santos (e por ele registrada no CD “Violão Sinfônico”, de 2006); a já citada Ritmetrias (Variantes rítmicas sobre um metro contínuo) (2006); e Abertura Solene para orquestra (2007), composta especialmente para as comemorações dos 200 anos da chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, em 2008. Neste mesmo ano de 2008, compôs: Alternâncias, para violão; Pequeno Concerto para violino e cordas, peça composta em maio daquele ano durante viagem de Edino à cidade de Baden-Baden (Alemanha), onde ficou hospedado na casa em que viveu o compositor Johannes Brahms; e Abertura Carioca (Variações sobre motivos da “Cidade Maravilhosa”), composição festiva que remete à famosa marchinha de André Filho. Esta música foi estreada pela Orquestra Sinfônica Brasileira no concerto inaugural da Cidade da Música do Rio de Janeiro, em 27 de dezembro de 2008.    Entre 2009 e 2010 compôs, sobre libreto de Conceição Campos, o musical Histórias da Ilha, que narra a história da Ilha de Paquetá (RJ), estreado no Paquetá Iate Clube nos dias 3, 4 e 5 de junho de 2010. Suas mais recentes criações são a Fanfarra Concertante (Sobre motivos do Hino Nacional Brasileiro), para metais e percussão (2010), dedicada à OSESP, e a Trio Tocata, para violino, violoncelo e piano (2011), dedicada ao Trio Aquarius e por ele estreada na XIX Bienal de Música Brasileira Contemporânea.Homenagens aos 70 anosSeus 70 anos, completados a 17 de março de 1998, mereceram diversas comemorações no Brasil e no exterior, entre as quais o ciclo de 5 concertos realizados durante o mês de março no Centro Cultural Banco do Brasil (“Edino Krieger: Trajetória Musical”), no Rio de Janeiro; concertos e conferências em capitais brasileiras – João Pessoa, Belo Horizonte, Londrina, Curitiba e Porto Alegre – e no Festival de Música Nova realizado em Santos, São Paulo e Ribeirão Preto. Em 5 de julho de 1998 assistiu em Bruxelas, Bélgica, como convidado, à estréia européia de seu Concerto para dois violões e cordas, pelo Duo Assad. Na abertura da temporada de concertos do Gran Teatro de Córdoba, Espanha, a 15 de outubro do mesmo ano, seu Concerto para dois violões e cordas foi executado com o Duo Assad e a Orquestra de Córdoba, sob a regência de Leo Brouwer. Dirigiu, também em outubro, a Orquestra Filarmônica Südwestfalen na execução de seu Canticum Naturale em Colonia, Alemanha.Homenagens aos 80 anosNa manhã do dia 5 de março de 2008, aniversário de Heitor Villa-Lobos e Dia da Música Clássica no Rio de Janeiro, Edino Krieger recebeu na Câmara dos Vereadores do RJ, das mãos da vereadora Aspásia Camargo, o diploma de Moção de Congratulações por sua atuação como cidadão dedicado à difusão da arte e também em comemoração aos seus 80 anos, que seriam completados naquele mês.    Entre os dias 16 e 19 de março, o compositor recebeu diversas homenagens em Santa Catarina. No dia 16 de março foi inaugurado o Espaço Cultural Maestro Edino Krieger, no terreno do Instituto Aldo Krieger (Rua Paes Leme 63), em sua cidade natal, Brusque, com a presença do prefeito da cidade, Cyro Marcial Roza. Neste mesmo dia foram lançados, também no IAK, o álbum “20 Rondas Infantis”, de Edino Krieger, e o documentário “Breve Passagem”, de Jefferson Bittencourt, filmado durante uma das idas do compositor a Florianópolis.    No dia 17 (dia do aniversário) foi inaugurada uma placa no terreno onde estava situada a casa na qual nasceu Edino Krieger (Rua Paes Leme 135, antigo 141). À noite, a cidade assistiu ao concerto homenageando seus 80 anos, no auditório da Unifebe. Na ocasião, apresentaram-se diversos artistas, como Rodrigo Warken (pianista), Alícia Cupani (soprano), Polyphonia Khoros, Camerata Florianópolis (regência de Jeferson Della Rocca e Mércia Mafra Ferreira) e, pela primeira vez tocando juntos num palco, os três filhos de Edino: Fabiano, Fernando e Edu Krieger.    No dia 18, a Associação Coral de Florianópolis fez, em sua sede, uma homenagem ao maestro, e, no dia seguinte, a Camerata Florianópolis apresentou um concerto em homenagem aos seus 80 anos no Teatro Álvaro de Carvalho (também situado na capital catarinense). Nos dias 28 e 29 de março, o recém-inaugurado Centro Municipal de Referência da Música Carioca (no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro) promoveu dois concertos em homenagem aos 80 anos de Edino, com participação, entre outros intérpretes, dos violonistas Maria Haro, Marco Lima e Luiz Carlos Barbieri, do Quarteto Carioca de Violões, do Quarteto de Cordas da UFF e, mais uma vez, de seus filhos Eduardo, Fabiano e Fernando.    Entre os dias 1º e 25 de maio, Edino Krieger (a convite da administração do próprio estabelecimento e com apoio do Goethe-Institut) hospedou-se na casa onde viveu o compositor Johannes Brahms, na cidade de Baden-Baden (Alemanha).Prêmios mais importantesCom a Música 1945, Edino Krieger recebeu, aos 17 anos, o Prêmio Música Viva, o primeiro de uma série de distinções que iria acumular ao longo da vida, algumas delas já citadas anteriormente nesta biografia. Em 1948 recebe o primeiro prêmio no Concurso de Composição da Berkshire Music Center, nos Estados Unidos. No ano de 1955 recebe o Prêmio da Fundação Rottelini de Roma e o Prêmio Internacional da Paz no Festival de Varsóvia, pela canção If We Die (texto de Ethel Rosenberg). Em 1968 é agraciado com o Prêmio Nacional do Disco pela gravação de seu Quarteto nº 1, para cordas. No mesmo ano, recebe o prêmio de melhor partitura musical do Instituto Nacional de Cinema pela trilha do filme “Massacre no Supermercado”. Ainda no cinema, foi premiado em 1978 com o prêmio Governador do Estado de São Paulo pela partitura do filme “O Seminarista” (1977). Possui dois prêmios Golfinho de Ouro, concedidos em 1969 e 1988 por sua produção na área musical. Possui ainda quatro prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (recebidos em 1974, 1975, 1988 e 2006). Recebeu ainda o Prêmio Shell para a Música Brasileira em 1987. Além da Medalha do Mérito Cultural Cruz e Souza, conferida pelo Conselho Estadual de Cultura de Santa Catarina em 1997, foi agraciado com o Troféu Barriga Verde de 1977 e com a Medalha do Mérito Cultural Anita Garibaldi, concedida pelo Estado de Santa Catarina em 1986. Em 1984 recebeu a Comenda da Ordem Cultural do Ministério da Cultura e Belas Artes da Polônia. Em 1994 recebeu o Prêmio Nacional da Música do Ministério da Cultura. É membro da Comissão Internacional para a Difusão da Cultura Catalã, de Barcelona, Espanha. Integrou durante anos o Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro. Em novembro de 1998 foi agraciado com a Medalha Pedro Ernesto, maior honraria concedida pela cidade do Rio de Janeiro a personalidades do meio cultural.  Ainda no mesmo ano, recebeu a Medalha Carlos Gomes da União Brasileira de Escritores e a Medalha Rui Barbosa de Mérito Cultural, em solenidade realizada na Casa de Rui Barbosa (RJ). A 7 de novembro de 2000 esteve em Brasília (capital federal) a convite do Exmo. Sr. Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, e do Exmo. Sr. Ministro da Cultura, Francisco Weffort, para receber, em solenidade no Palácio do Planalto, a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, por suas relevantes contribuições à cultura brasileira. Em 26 de novembro desse mesmo ano recebeu a Medalha do Mérito Cultural do Teatro Bolshoi, atribuída a personalidades das artes brasileiras, em solenidade no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasilia. No ano de 2002 foi agraciado com dois títulos de Doutor Honoris Causa, concedidos pela Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2004 recebeu o Prêmio Nacional Jorge Amado de Literatura e Arte, instituído pelo Governo do Estado da Bahia e dedicado, nesse ano, à música clássica. Considerado o mais importante prêmio conferido no Brasil na área da cultura, foi entregue pelo Governador do Estado da Bahia, Paulo Souto, em solenidade realizada no Teatro Castro Alves de Salvador no dia 10 de agosto, data do 92º aniversário de Jorge Amado.Uma vida dedicada à música em geral e à música brasileira em particularParalelamente ao seu trabalho como compositor, Edino Krieger desenvolveu diversas atividades como jornalista, radialista, organizador de eventos e dirigente de órgãos públicos e privados. Em cada uma dessas atividades, exercidas como meio de sobrevivência, encontrou formas de atuar em favor do desenvolvimento da cultura musical do país e da música brasileira em particular. A seguir, um resumo dessas atividades e dessas ações.Rádio Ministério da Educação (atual Rádio MEC)Entre 1950 e 1981, exerceu funções de redator e produtor de programas musicais, entre os quais Concertos Para a Juventude (também na TV Globo), 2000 Anos de Música, Curso de redação e produção de programas musicais para o rádio (para o Colégio do Ar), Música e Músicos do Brasil (juntamente com Mozart de Araújo, Andrade Muricy, Ayres de Andrade, Helza Camêu, Ademar Nóbrega e Alceo Bocchino), Concerto Moderno, Concerto ao vivo (com gravações realizadas em auditórios do Brasil e do exterior), Falando de Música (com Ayres de Andrade, Arnaldo Estrella e Garcia de Miranda Netto). Nas gestões de Mozart de Araújo e Murilo Miranda exerceu a função de assistente musical e chefe do Setor Musical. Por ocasião da transferência de cerca de 50 instrumentistas da Rádio Nacional para o Serviço de Radiodifusão Educativa, através de decreto do Presidente Juscelino Kubitschek, sugeriu ao então diretor da rádio, Mozart de Araújo, a criação de uma orquestra sinfônica dedicada à execução e à gravação de um repertório alternativo, de música contemporânea e de música brasileira, o que resultou na criação da Orquestra Sinfônica Nacional, da qual foi regente assistente. Atuou também como regente da Orquestra de Câmara da Rádio e da OSB, realizando gravações de obras de autores brasileiros. Ainda na rádio, organizou e dirigiu os Concursos de Corais do Rio de Janeiro e os Concursos para Jovens Solistas.Rádio Roquette-PintoProduziu durante 3 anos o programa Pelos Caminhos da Música, dedicado à divulgação da música de todos os tempos e de todos os países.Rádio Jornal do BrasilOrganizou e dirigiu, por cerca de 30 anos, os programas Primeira Classe e Clássicos em FM. Também organizou e dirigiu os Concursos JB de Corais, promovendo a encomenda de peças de confronto a vários compositores brasileiros.Tribuna da ImprensaIndicado por Francisco Mignone, exerceu a crítica musical no jornal carioca durante 2 anos (entre 1950 e 1952), entrevistando personalidades artísticas, promovendo a divulgação de concertos e fazendo o seu registro crítico no dia seguinte. Participou, pela imprensa, dos debates sobre a Carta Aberta de Camargo Guarnieri.Jornal do BrasilExerceu a crítica musical durante anos na década de 50 em substituição ao crítico Renzo Massarani, tornando-se titular quando do falecimento deste. Escreveu no jornal até a década de 70. Dedicava especial atenção à música brasileira e aos intérpretes nacionais, bem como aos espaços alternativos.Fundação dos Teatros do Rio de Janeiro (FUNTERJ – atual FUNARJ)Ocupou o cargo de diretor artístico, responsável pela programação dos teatros do estado, entre os quais o Theatro Municipal, o Teatro João Caetano e a Sala Cecília Meireles. Nessa condição, organizou a temporada de reabertura do Theatro Municipal depois de seu fechamento por um ano para obras. Para isso, foi a Buenos Aires para contratar uma equipe técnica do Teatro Colón, incluindo diretor de ópera, diretor de coro e profissionais de cenografia, cenotécnica, confecção de costumes e carpintaria, com os quais reorganizou, em nível altamente profissional, a Central Técnica de Inhaúma e restaurou o nível artístico dos espetáculos do Municipal, abalado por anos de produções de menor qualidade. Esse nível elevado de produção técnica e artística prevalece até hoje.Festivais de Música da GuanabaraOrganizou e dirigiu os Festivais de Música da Guanabara de 1969 e 1970, promovidos pela Secretaria de Educação e Cultura do então Estado da Guanabara. O I Festival realizou-se no Theatro Municipal com a participação do coro e da orquestra sinfônica do teatro, com regentes como Eleazar de Carvalho, Mário Tavares e Henrique Morelenbaum e solistas da categoria de Arnaldo Estrella, Maria Lúcia Godoy, Nelson Portella e outros. Das cerca de 80 obras inscritas, 14 foram executadas em estréia mundial, concorrendo a prêmios num total de cerca de 100 mil dólares – os maiores já oferecidos em concurso de composição musical no país. Com o objetivo de promover o conhecimento da nova criação musical brasileira por parte de importantes personalidades musicais de outros países, foi organizado um Júri Internacional integrado por compositores e regentes de renome, entre os quais Krzysztof Penderecki, da Polônia, Roque Cordero, do Panamá, Franco Autori, dos EUA, Hector Tosar, do Uruguai, Johannes Hoemberg, da Alemanha, e Fernando Lopes Graça, de Portugal. Entre os premiados, foram revelados compositores até então desconhecidos nacionalmente, como os paulistas Almeida Prado e Aylton Escobar e os baianos Lindembergue Cardoso, Fernando Cerqueira, Jamary de Oliveira e Milton Gomes. O II Festival, de âmbito latino-americano, realizou-se no Theatro Municipal (obras sinfônicas) e na Sala Cecília Meireles (música de câmara).  Os vencedores foram Ernest Widmer, da Bahia (música sinfônica), e Ramón Maranzano, da Argentina (música de câmara).Bienais de Música Brasileira ContemporâneaO projeto de Edino Krieger para os Festivais de Música da Guanabara previa a sua continuidade na forma de Bienais de Música Brasileira Contemporânea. Com a morte prematura do secretário de Educação e Cultura do Estado da Guanabara, Gonzaga da Gama Filho, o projeto foi retomado somente em 1975 pela Sala Cecília Meireles, na gestão de Myriam Dauelsberg, sob a supervisão do seu autor. Realizadas ininterruptamente desde então e assumidas em 1981 pela FUNARTE, sob a direção de seu criador (que ficou à frente do evento até 1997), as Bienais têm oferecido, periodicamente, um painel atualizado da criação musical brasileira da atualidade, estimulando e registrando o crescimento continuado da atividade criadora no país no campo da composição musical e reunindo, a cada evento, dezenas de solistas, conjuntos de câmara, corais e orquestras de várias regiões, estimulando assim o interesse pela música brasileira por parte de nossos intérpretes e do público. A importância das Bienais para o desenvolvimento da criação musical brasileira registra-se no crescimento quantitativo e qualitativo dessa produção ao longo dos 28 anos de sua realização. Partindo de cerca de 50 obras executadas em sua primeira edição, em 1975, as Bienais foram crescendo em número de concertos, número de obras e de executantes, para atingir o elevado número de 120 a 150 obras em suas últimas edições. Nessa trajetória, as Bienais registraram o surgimento de dezenas de compositores novos de todas as regiões do país, através de concursos ou de espaços abertos a compositores jovens. Nas Bienais iniciaram suas carreiras, em nível nacional, compositores hoje consagrados, como Ronaldo Miranda, João Guilherme Ripper, Cirlei de Hollanda, Roberto Victorio, Vânia Dantas Leite, Tim Rescala e Marisa Rezende, do Rio de Janeiro; Alda Oliveira, Agnaldo Ribeiro, Paulo Costa Lima, Wellington Gomes e Ilza Nogueira, da Bahia; Raul do Valle, Mário Ficarelli, Willy Correa de Oliveira, Maria Helena Rosas Fernandes e Rodolfo Coelho de Souza, de São Paulo; Tato Taborda, Henrique de Curitiba, Chico Mello e Jocy de Oliveira, do Paraná; Antonio Borges Cunha, Yanto Laitano, Brenno Blauth e Dimitri Cervo, do Rio Grande do Sul; Harry Crowl, Oilliam Lana e Eduardo Guimarães Álvares, de Minas Gerais; Alfredo Barros, de Pernambuco; e muitos outros.Fundação Nacional de Arte (FUNARTE)Através de artigos no Jornal do Brasil, Edino Krieger propôs a criação, junto ao MEC, de um Instituto Nacional de Música, cujo esboço elaborou a partir de um encontro de representantes do meio musical realizado na residência do escritor Guilherme de Figueiredo, que o encaminhou ao então Ministro Ney Salgado, que logo depois criaria a Fundação Nacional de Arte e seus diversos Institutos – de Música, Artes Plásticas, Folclore e Fotografia. Em 1979 apresentou ao Instituto Nacional de Música, então sob a direção de Cussy de Almeida, o Projeto Memória Musical Brasileira (Pro-Memus), dedicado à pesquisa, documentação e divulgação da música brasileira de todos os tempos. Sob sua direção, o projeto teve como principais realizações: 1) a edição de cerca de 50 LPs, contendo gravações históricas realizadas pela Orquestra Sinfônica Nacional e outros intérpretes nos estúdios da Rádio MEC, nos anos 60, além de gravações novas, totalizando cerca de uma centena de obras de autores do passado e do presente; 2) a edição de cerca de 300 partituras, incluindo coleções de obras para coro infantil e para coro misto selecionadas mediante concursos nacionais; 3) a organização do Repertório de Ouro das Bandas de Música do Brasil, através do levantamento, pelo Projeto Bandas, das músicas mais representativas das bandas de música de todo o país, das quais foram selecionadas 80 por uma comissão nacional de especialistas, para fins de  elaboração de partituras e de edição gráfica. Assumindo a direção do Instituto Nacional de Música em 1981, ampliou o Projeto Bandas, organizando – além da distribuição de instrumentos – oficinas regionais para apoio à formação teórica e pratica de mestres de bandas do interior e também oficinas de restauro e conservação de instrumentos de bandas. Criou a Coordenação de Educação Musical para realizar seminários regionais com o objetivo de promover a formação e a atualização de professores dessa disciplina. Promoveu Encontros e Oficinas de Canto Coral nas diversas regiões do país, para a elevação da qualidade técnica e artística dos regentes corais. Instituiu a obrigatoriedade de 1/3 de música brasileira em todos os concertos da Rede Nacional da Música. Criou a Comissão de Legislação Musical e transferiu para a FUNARTE a responsabilidade da realização das Bienais de Música Brasileira Contemporânea – o que permanece até o presente. Juntamente com Ruy Mourão, diretor do Museu da Inconfidência de Ouro Preto, foi a Montevidéu para resgatar para o Brasil o importante acervo de música mineira do período colonial, descoberto pelo pesquisador Francisco Curt Lange e mantido até então em seu arquivo musicológico. Foi presidente da FUNARTE entre 1989 e 1990 (quando o órgão foi extinto pelo governo Collor).Academia Brasileira de MúsicaEleito presidente em 1997 e reeleito em 1999 e 2003, promoveu a realização da série Brasiliana de concertos mensais de música brasileira e a criação da revista quadrimestral Brasiliana; organizou o Banco de Partituras de Música Brasileira, dedicado inicialmente ao repertório orquestral e que já conta com cerca de 200 obras editoradas eletronicamente e disponibilizadas – partituras e partes – para orquestras do país e do exterior mediante aluguel, cabendo aos compositores ou a seus herdeiros 80% do valor recebido; propôs a criação da série Trajetórias, em que compositores, intérpretes, professores e musicólogos registram depoimentos sobre suas atividades, gravados para fins de registro e documentação histórica. Iniciou a edição de CDs de música brasileira através do selo da própria academia, ABM Digital, e em parceria com outras instituições e com os próprios intérpretes, totalizando um catálogo de cerca de 20 títulos. Ampliou a edição de livros através da coleção ABM Editorial. Propugnou, finalmente, para a aquisição da primeira sede própria da Academia, num total de 13 salas ocupando todo o 12º andar da Rua da Lapa 120, no Rio de Janeiro.Museu da Imagem e do Som – RJA gestão de Edino Krieger (presidente) e Valéria Peixoto (vice-presidente) foi relativamente curta (2003-2006), porém pródiga em realizações. Logo no início desta gestão, o prédio da Praça Quinze foi interditado pela Defesa Civil e precisou passar por reformas, tendo sido reaberto no dia 17 de fevereiro de 2004 com a exposição “As Escolas de Samba no traço de Lan e o Carnaval de rua pelas lentes de Augusto Malta e Guilherme Santos”.    Graças a parcerias com importantes instituições, a Fundação Museu da Imagem e do Som do RJ conseguiu recuperar e salvar parte significativa do seu acervo. Com o apoio da Petrobras, o MIS fez a reforma da sede da Lapa, além de ter executado dois grandes projetos: a instalação de um laboratório de digitalização e a própria digitalização de 20 mil partituras e 5 mil acetatos (discos de 12 polegadas) da Coleção Rádio Nacional.    Sob o patrocínio da Fundação Vitae, o MIS providenciou a higienização e a restauração dos 23 álbuns de fotografias da Coleção Augusto Malta (uma das mais importantes do país) e a digitalização dos negativos panorâmicos do fotógrafo. E, em parceria com o Instituto Jacob do Bandolim, foi finalmente feita a digitalização de 122 fitas-rolo do acervo deste excepcional musicista, que teve assim dezenas de suas históricas gravações recuperadas para a posteridade. Leia mais Nascimento: Brasil Brusque SC, 17/3/1928
Falecimento:  , 6/12/2022

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