José Maurício Nunes Garcia

José Maurício Nunes Garcia

1767 - 1830

Em 22 de setembro de 1767, numa casa na Rua da Vala, no Rio de Janeiro, um menino nasceu de um casal de mulatos livres, Maria Vitória da Cruz e o alfaiate Apolinário Nunes Garcia. Vitória e Apolinário casaram-se em 1762. Ela era originária da cidade de Mariana, na província de Minas Gerais, e ele, da Ilha do Governador, então nos arredores do Rio de Janeiro. Vitória era filha de Joana Gonçalves,… Em 22 de setembro de 1767, numa casa na Rua da Vala, no Rio de Janeiro, um menino nasceu de um casal de mulatos livres, Maria Vitória da Cruz e o alfaiate Apolinário Nunes Garcia. Vitória e Apolinário casaram-se em 1762. Ela era originária da cidade de Mariana, na província de Minas Gerais, e ele, da Ilha do Governador, então nos arredores do Rio de Janeiro. Vitória era filha de Joana Gonçalves, escrava de Simão Gonçalves, e Apolinário, de Ana Correa do Desterro, escrava do pároco Apolinário Nunes Garcia. Os documentos de batismo não trazem registro dos nomes dos pais, uma indicação de que ambos podem ter sido filhos dos respectivos proprietários.O menino, que nasceu no dia de São Maurício, foi batizado José Maurício Nunes Garcia, em 20 de dezembro deste mesmo ano, na Sé da cidade, a atual igreja de Nossa Senhora do Rosário.Uma tia, cujo nome é desconhecido, vivia com a família. Após a morte de Apolinário, em 1773, mãe e tia criaram o menino, e, quando notaram o seu precoce talento musical, conseguiram contratar o compositor mineiro Salvador José de Almeida e Faria para lhe ensinar música. Há indícios de que integrou também o coro da Sé, como soprano. Os componentes do coro eram estudantes do Seminário de São Joaquim, mais tarde Colégio Pedro II, no qual o currículo era solfejo, canto gregoriano e latim. Para complementar a educação, ele frequentou as "Aulas Régias", tomando lições de história, geografia, gramática latina, filosofia e retórica.De acordo com Manuel de Araújo Porto Alegre, um dos primeiros biógrafos, o rapaz tinha "belíssima voz e prodigiosa memória musical", "reproduzia tudo o que ouvia", e "improvisava melodias e tocava cravo e viola sem nunca os ter aprendido".Em 1779, aos doze anos, começou a ensinar música às senhoras da sociedade. Já que a família não tinha recursos para adquirir um piano ou um cravo, exercitava-se no teclado durante as aulas. Mais tarde, já sacerdote, aprenderia o órgão, assistido por alguns bons organistas nas igrejas.OS PRIMEIROS PASSOS PARA O SACERDÓCIOJosé Mauricio compôs, aos 16 anos, a primeira peça musical da qual se tem registro: a antífona "Tota pulchra Es Maria" (CPM 1), de 1783, dedicada à Catedral da Sé.Durante a década de 1780, estudou as disciplinas para os exames prévios à ordenação ao sacerdócio, e iniciou uma colaboração com o velho mestre de capela e subchantre da Sé, o cônego João Lopes Ferreira. Esses seriam os primeiros passos para sucedê-lo na profissão.Em 1784, aos 17 anos, assinou a ata de fundação da Irmandade de Santa Cecília, como professor de música.Ao final da década de 1780, já era autor de um grande repertório: a "Ladainha de Nossa Senhora" para quatro vozes e órgão, de 1788; os hinos "O Summe Redemptor Carmen" e Pange Lingua, ambos de 1789, e as obras a capella para toda a semana santa da Sé, os "Bradados" ou paixões. Desses, o mais importante é a coleção dos "Bradados de 6ª feira Maior" (CPM 219), ou Paixão de Sexta-Feira Santa, do qual fazem parte alguns motetos que, devido à grande difusão em acervos musicais, hoje são classificados individualmente: "Crux Fidelis" (CPM 205), "Heu Domine" (CPM 211); "Popule Meus" (CPM 222); "Sepulto Domino" (CPM 223); e "Vexilla Regis" (CPM 225).Em 1790, o jovem músico obteve a notoriedade no Rio de Janeiro com uma obra instrumental: a "Sinfonia Fúnebre" (CPM 230). O inventário de Salvador José de Almeida e Faria, que morreu em 1794, indica que o antigo professor possuía cópias de vários "duetos e tritos" compostos pelo aluno, repertório instrumental que se perdeu.Ele solicitou a ordenação ao sacerdócio em 1791, superando os dois principais pré-requisitos para ser aceito em ordens: provar a verdadeira fé católica de si mesmo e de seus pais, e ser livre de "qualquer defeito de cor". O primeiro foi provado por meio de pesquisa e testemunho de amigos dos pais e avós. Quanto ao segundo, ele pleiteou a dispensa do "defeito", no qual foi bem sucedido. Em junho de 1791, começou os exames, e em março de 1792 foi aprovado.Havia um último obstáculo para tomar ordens: possuir algum patrimônio imóvel. Esse obstáculo foi superado com a ajuda do pai de um aluno, Thomaz Gonçalves, um rico comerciante, que doou-lhe uma casa na Rua das Bellas Noutes, atualmente Rua das Marrecas, no centro do Rio de Janeiro.José Maurício tentou desenvolver-se na oratória, disciplina útil para o sacerdócio, frequentando as reuniões da Sociedade Literária, fundada em 1794.Em 1795, foi nomeado professor público de música, e instalou um curso de música gratuito na própria casa. Nele o único instrumento disponível para o ensino era uma viola de arame, usada em seqüência por todos os alunos. Grandes músicos e cantores que enriqueceriam a atividade musical do Rio de Janeiro no século XIX, dentre os quais Francisco Manuel da Silva, Cândido Inácio da Silva e Francisco da Luz Pinto, ali tomaram as primeiras lições.Em 1797, a sociedade Literária foi fechada e os dirigentes presos, sob a acusação de atividades revolucionárias. Entre os presos, estava o autor de "Glaura", Manuel Inácio da Silva Alvarenga, poeta nascido em Vila Rica e primo de Inácio José de Alvarenga Peixoto, um dos líderes da Inconfidência Mineira.MESTRE DE CAPELA DA SÉApós a ordenação, José Maurício entrou num período de grande produtividade, do qual são conhecidas 32 obras musicais, dentre elas graduais, antífonas, salmos diversos, um "Magnificat" (CPM 16), para vozes e órgão, as "vésperas das Dores de N. Srª." (CPM 177), as "vésperas de N. Srª." (CPM 178), dois "Miserere" para a Semana Santa: um "para Quinta-feira Santa" (CPM 194), e outro "para Sexta-feira Santa" (CPM 195), e, em 1797, a primeira missa, a "Missa para os Pontificais da Sé".Em 4 ou 5 de julho de 1798, Lopes Ferreira faleceu. Dois dias antes, talvez por causa da morte iminente, o jovem sacerdote foi nomeado mestre de capela. O sonho de suceder o mestre havia se tornado realidade. O cargo de subchantre, acumulado por Lopes Ferreira, foi ocupado pelo diácono José Mariano.Em 1799 ingressou na irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, em cuja igreja a Sé estava instalada. Nesse mesmo ano  compôs um "Ofício de Defuntos" (CPM 183) e uma "Missa de Requiem" (CPM 184), em homenagem aos cônegos defuntos, provavelmente um tributo pessoal a Lopes Ferreira, e as "Matinas do Natal" (CPM 170).Com a casa da Rua das Bellas Noutes situada perto do primeiro jardim público do Rio de Janeiro, o Passeio Público, há evidências de que ele participou das tradicionais serenatas que lá ocorriam. Em 1837, já falecido o compositor, o editor de música Pierre Laforge fez imprimir três de suas composições populares, as modinhas "Beijo uma Mão Que me condena" (CPM 226), "Marília, se não me amas" (CPM 238), e "No Momento da partida, meu coração t'entreguei" (CPM 239).No início do século XIX, ele acrescentou ao repertório instrumental as aberturas "A Tempestade" (CPM 233) e "Zemira" (CPM 231), ambas compostas em 1803. Somente mais algumas das obras compostas entre 1800 e 1807 são conhecidas: dois graduais; o moteto "Te Christe Solum Novimus" (CPM 52), de 1800; o "Te Deum para as Matinas da Assunção" (CPM 91); a "Missa em Si bemol" (CPM 102), de 1801; e a antífona "In Honorem Beatissimae Mariae Virginis" (CPM 4), de 1807.Entre 1802 e 1804, retomou as aulas de retórica com Silva Alvarenga, mas das obras puramente retóricas, apenas os títulos de dois dos seus sermões são conhecidos.Apesar dos votos de celibato, José Maurício teve, na primeira década do século XIX, uma relação conjugal com Severiana Rosa de Castro, nascida em 1789, também uma mestiça livre. Dessa relação nasceram cinco filhos: Apolinário José, em 1807; José Apolinário, em 1808; Josefina em 1810, Panfilia em 1811 e Antônio José, em 1813. O mais velho, Apolinário José, mais tarde mudou o nome para José Maurício Nunes Garcia Jr., após a confirmação da paternidade, em 1828.CHEGA A FAMÍLIA REAL PORTUGUESA AO RIO DE JANEIROEm janeiro de 1808 o brigue "Voador", fazendo jus ao nome, trouxe a notícia da chegada próxima da família real portuguesa, fugida da invasão do reino pelas tropas de Junot.Semanas mais tarde, outro barco trouxe a notícia da data exata da chegada: 7 de março, e um pedido do príncipe regente D. João: assistir a um "Te Deum", celebrado na Sé da cidade, em ação de graças pela viagem bem sucedida. O Vice-Rei preparou a cidade com antecedência para a ocasião, e na data informada, a frota anglo-portuguesa aportou na baía do Rio de Janeiro.O príncipe regente e os membros da corte que o acompanhavam desembarcaram no dia seguinte, indo a pé do cais até a Sé. Ao longo do caminho, havia fogos de artifício, música e o toque dos sinos das igrejas. Quando o príncipe entrou na igreja, uma "grande orquestra" e o coro de meninos da Sé entoaram a música pedida.A regência ficou a cargo do mestre de capela. Quanto ao repertório, foram apresentadas as antífonas "O Beatae Sebastiane" e "Sub Tuum Praesidium" (CPM 2), e, provavelmente o "Te Deum em Ré" (CPM 96) escrito em 1799.O príncipe regente, embora entusiasmado com a música, logo se deu conta do estado precário da Sé, e das querelas entre o Cabido e a Irmandade do Rosário. Num dos primeiros decretos no Rio de Janeiro, transferiu o Cabido para a igreja da Ordem Primeira do Carmo, junto ao Palácio do Governador. Logo surgiu a idéia de criar uma Capela Real, nos moldes da Patriarcal de Lisboa, a ser instalada nesta igreja.A instituição foi oficializada quando o bispo José Caetano da Silva Coutinho chegou à cidade, em 25 de abril de 1808. Ele teve que agir com diplomacia para integrar os sacerdotes da Patriarcal de Lisboa com os do Cabido da Sé do Rio de Janeiro. A admissão dos sacerdotes brasileiros havia sido oficializada, mas o clero português pensava o contrário: um documento anônimo sustentava que, como medida de economia, os ministros deviam limitar-se àqueles que anteriormente serviam ao príncipe regente.Isso obviamente excluiria o mestre de capela. Mas o príncipe regente, reconhecendo os dons musicais de José Maurício, o confirmou, em 26 de novembro, como mestre da Capela Real. A nomeação o tornou oficialmente, ao menos até 1811, o músico mais importante do reino de Portugal.MESTRE DA CAPELA REALA mudança da corte para o Rio de Janeiro foi traumática para a cidade de sessenta mil habitantes. Estima-se que a comitiva da família real contava quinhentas pessoas, mas nos anos que se seguiram, chegaram à cidade cerca de quinze mil novos habitantes, que precisavam de moradia e alimento. Na falta de casas disponíveis, o único remédio era tomá-las pela força. Uma vez escolhida, a casa era marcada com as iniciais P.R. (Príncipe Regente), e os ocupantes tinham por obrigação liberá-la em 24 horas.Para evitar problemas com o abastecimento de alimentos devido ao aumento súbito da população, o príncipe regente ordenou melhorias na Fazenda Real de Santa Cruz, antigo assentamento jesuíta, distante sete léguas (50 km) da cidade. A propriedade fora transferida para a Coroa em 1769, com a expulsão dos jesuítas de Portugal e de todas as colônias. Os alimentos lá produzidos eram transportados para o Rio e vendidos na ucharia, o depósito de alimentos da cidade, anexo ao convento do Carmo.A fazenda seria logo transformada em residência de verão da família real. Desde os jesuítas, havia um coro de escravos, e como eles seriam úteis nas missas, o príncipe regente ordenou a dois professores de música que lá residissem e trabalhassem para melhorar as habilidades musicais.A orquestra da Sé também não agradou ao príncipe, que então ordenou aos músicos da Patriarcal de Lisboa, a maioria deles ainda vivendo na cidade, que mudassem para o Rio de Janeiro. Os músicos de Lisboa eram artistas de grande técnica e virtuosismo, e sua presença tornou o Rio de Janeiro num importante centro musical da época. Alguns dos músicos da Sé permaneceram na orquestra.A tarefa de compor novas obras coube ao mestre de capela. De 1808 a 1811, ele compôs cerca de 70 obras para as solenidades da realeza. As composições principais de 1808 foram a "Missa de São Pedro de Alcântara" (CPM 104), dedicada ao príncipe Dom Pedro, a "Missa Pastoril" (CPM 108), a "Missa em Fá" (CPM 103) um "Qui Sedes" orquestrado (CPM 162) e algumas obras que se perderam: a "Missa de Natal", e uma "Missa para a Rainha Santa Isabel", ambas para vozes e órgão.Em 1809, mesmo com a orquestra ainda incompleta, várias cerimônias foram celebradas com música na Capela Real. Nesse ano, foi instituído um feriado na data de aniversário da "Feliz chegada" da família real ao Rio de Janeiro, e uma "Missa" e um "Te Deum" foram compostos para a celebração. Dentre as outras composições de 1809, figuram: a "Missa de São Miguel Arcanjo", a "Missa de São Pedro de Alcântara" (CPM 105), a "Missa para a festa da Visitação de Nossa Senhora" e a "Missa do Anjo Custódio do Reino".A Semana Santa foi celebrada solenemente, com um "Credo a oito Vozes", para a quinta-feira santa, e um "Moteto de Nossa Senhora", ambos perdidos. As obras que aos nossos dias chegaram são “Judas Mercator Pessimus” (CPM 195); as "Matinas da Ressurreição" (CPM 200); e a sequência "Lauda Sion" (CPM 165), para a festa de Corpus Christi.Neste mesmo ano ele compôs música para duas peças teatrais de autoria de Gastão Fausto da Câmara Coutinho: "Ulissea, Drama Eroico" (CPM 229) e "O Triunfo da América" (CPM 228).Em fevereiro de 1809, o príncipe regente, impressionado com as improvisações do mestre de capela ao piano em seu palácio, retirou uma medalha da casaca de um conselheiro e a anexou-lhe à batina, tornando-o um cavaleiro da Ordem de Cristo. Seu prestígio era tal, que além da dispensa do pagamento das taxas, foi liberado de prestar as "provanças e habilitações", e lhe foi permitido portar a medalha em público mesmo antes da conclusão do processo de ordenação.Neste mesmo ano recebeu nova atribuição, a de arquivista do recém chegado arquivo musical do Palácio de Queluz. O trabalho de arquivista permitiu que conhecesse um repertório mais atualizado e aprendesse novas técnicas de composição.Os rendimentos da atividade de mestre de capela, embora suficientes para ele próprio, logo tornaram-se insuficientes face às necessidades de seus filhos para a alimentação, educação e cuidados. Logo endividado, decidiu hipotecar a casa.Apesar dos problemas pessoais, ele prosseguiu com o trabalho. Em 1810 compôs as "Matinas de São João", a "Missa" e o "Te Deum" em ação de graças pela "Feliz viagem" da família real, a antífona "Ecce Sacerdos" (CPM 5), e o "Magnificat para o Vésperas de São José" (CPM 17). Pelo final do ano, terminou o moteto "Praecursor Domini" (CPM 55), para a fazenda de Santa Cruz, e a "Missa de N. Sr.ª da Conceição" (CPM 106), para a padroeira do reino. um ponto de inflexão na produção musical. Começava a utilizar o que aprendera com o arquivo de Queluz.CHEGA O COMPOSITOR DA CORTEEm 1811, o príncipe regente decidiu chamar o compositor da corte, Marcos Portugal, que permanecera em Lisboa, ao Rio de Janeiro. O compositor deixou a cidade natal em Março de 1811, e ao cabo da viagem de um mês, foi calorosamente recebido pelo príncipe. Como em Lisboa onze anos antes, foi nomeado mestre compositor da Capela Real e diretor do Teatro Real de São João, uma réplica do São Carlos, então em construção. Não há documentação a respeito dos motivos da decisão, mas, educado na Itália, Marcos Portugal atendia melhor o gosto do regente, de ouvir os "castrati" que tanto prezava entoarem árias operísticas cada vez mais difíceis na sua capela.Apesar de, segundo os desafetos, ter "fumos mui subidos", o primeiro encontro do compositor com José Mauricio foi aparentemente cordial. O padre, desafiado a tocar uma sonata de Haydn ao cravo, após a execução da peça recebeu um abraço e a declaração: "Belíssimo! És meu irmão na arte! Com certeza serás um amigo para mim."Ao contrário do que biógrafos recentes deixam a entender, não houve a substituição de um pelo outro, nem perda financeira para José Maurício. Em vez disso, a nova situação pareceu vantajosa para ele. Além da diminuição do rítmo de trabalho, as dedicatórias de algumas das composições, a partir desse período, demonstram uma clara divisão de funções: Marcos Portugal tornou-se responsável pela composição da música nas cerimônias principais na Capela Real, e José Maurício pela regência. O padre continuou compondo para as cerimônias na Real Quinta da Boa Vista e na Real Fazenda de Santa Cruz, conforme atestam as dedicatórias do moteto "Tamquam Aurum" (CPM 56), para a Real Quinta; os dois "Benditos" (CPM 12, 13), e um pouco mais tarde, a "Missa da Degola de São João Batista" (CPM XCIX), da qual só restam fragmentos, todas para a Real Fazenda.Além disso, com seis outras bocas para alimentar, o alívio das atribuições na Capela Real o tornou capaz de aceitar encomendas de outras igrejas, aumentando a renda familiar. Após 1811, a maioria das suas composições já não são dedicadas à Capela Real e às reais propriedades, e sim para igrejas menores no Rio de Janeiro. Por essa época, a hipoteca da casa foi paga, outra evidência de saúde financeira.O TRABALHO AUTÔNOMOA partir de 1813, José Maurício começou a compor regularmente para a igreja dos Terceiros do Carmo, ao lado da Capela Real. A pedido do amigo José Baptista Lisboa escreveu dois salmos: "Laudate Dominum" (CPM 76) e "Laudate Pueri Dominum" (CPM 77). No mesmo ano, para a igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, orquestrou as "Matinas da Assunção de Nossa Senhora" (CPM 172) escritas em 1808, e compôs uma "Missa Pequena", para a festa de Santa Teresa.Em 1813, o Teatro Real de São João, ainda inacabado, foi aberto ao público.Apenas duas das obras compostas em 1814 são conhecidas: a "Novena do Apóstolo São Pedro" (CPM 66), e o "Bendito e Louvado Seja" (CPM 12), para a Real Fazenda. Em 22 de novembro passou a receber, do "Real Bolsinho" do Príncipe Regente um montante anual de 25$000 (25 mil réis), prêmio concedido para construir seu "patrimônio clerical".Em 1815 compôs as "Matinas do Apóstolo São Pedro" (CPM 173), para a irmandade de São Pedro dos Clérigos, e outro "Bendito e Louvado Seja" (CPM 13), segundo o subtítulo, "Mais pequeno e abreviado", para a Real Fazenda. Nesse ano há também o registro de um "Moteto para a sagração do Illustríssimo Senhor Bispo da Capela Real", cerimônia ocorrida em 15 de março. O registro indica que as portas da Capela Real não se fecharam para ele como compositor.Em dezembro de 1815, a fim de pleitear um assento na assembleia da Santa Aliança, o príncipe regente promoveu o Brasil de colônia de Portugal a Reino Unido a Portugal e Algarves. No início de 1816, José Maurício regeu a musica da missa pelo evento, celebrada na igreja de São Francisco de Paula, no Largo da Sé Velha.No dia 20 de março de 1816 faleceram, coincidentemente, a rainha, D. Maria I, e Vitória Maria, mãe de José Mauricio. A morte da rainha, ocorrida no Convento do Carmo, comoveu a cidade. O cortejo fúnebre passou por várias ruas até o Convento da Ajuda para o sepultamento, acompanhado pelo povo em silêncio. Um mês depois, em 22 de abril, a missa fúnebre em sua memória foi celebrada solenemente na Capela Real, com uma "Missa de Requiem" e um "Ofício de Defuntos", ambos compostos e regidos por Marcos Portugal.Para promover a sua própria cerimônia fúnebre, os Terceiros do Carmo comissionaram a José Maurício uma "Missa de Mortos" (CPM 185), claramente influenciada pelo famoso "Requiem" de Mozart, e um "Ofício de Defuntos" (CPM 186), ambos considerados obras-primas.Em 4 de julho de 1816, um terceiro mestre de capela, Fortunato Mazziotti, foi admitido na Capela Real. Pouco depois, em 10 de julho, ele regeu o "Mattutini dei Morti", do napolitano David Perez, numa segunda cerimônia em memória da Rainha defunta.O PERÍODO DO REINO UNIDOO príncipe regente, num gesto de reconciliação com a França, e preocupado com o desenvolvimento da cultura e das artes no Brasil, patrocinou a viagem ao Rio de Janeiro de uma "Missão Artística Francesa", uma comissão de especialistas em pintura, escultura, historiografia e arquitetura. A comissão chegou à cidade em 26 de março de 1816. Liderada pelo historiador Henri Lebreton, o grupo era composto por Jean-Baptiste de Bret (pintor), Auguste Henri Grandjean de Montigny (arquiteto), Zepherin Ferrez (escultor), e Nicholas Antoine Taunay  (pintor e historiador). Taunay se referia a José Maurício como "le grand mulâtre", e transmitiu a admiração pelo compositor aos descendentes que permaneceram no Brasil, dentre os quais o Visconde de Taunay.Algumas semanas depois, integrando a comitiva do duque de Luxemburgo, o compositor austríaco Sigismund Neukomm (Salzburgo, 1778; Paris 1858) desembarcou no Rio de Janeiro. Na cidade natal, Neukomm fora aluno de Joseph e Michael Haydn. Em toda a carreira, ele compôs cerca de 1.800 obras.Apesar das credenciais, Neukomm não foi admitido na Capela Real. Em vez disso, foi nomeado professor de música de Suas Altezas Reais, cargo que ocupou até 1821, quando retornou à Europa. Ele foi um severo crítico do estilo operístico prevalente na música sacra da época, e das 45 obras que compôs no Brasil, apenas uma foi apresentada na Capela Real: a "Missa Pro Acclamationis Joannis VI",  composta para a aclamação de o príncipe regente rei de Portugal.Dois anos mais tarde, Neukomm promoveria a primeira apresentação no Brasil do "Requiem" de Mozart (K 626), em dezembro de 1819, na igreja do Recolhimento do Parto, com os músicos da irmandade de Santa Cecília, e regido por José Maurício. Ele escreveu um "Libera Me" baseado em alguns dos temas da obra, apresentado em seqüência, e um artigo sobre a apresentação, publicado em 1820 no jornal "Allgemeines Musikalisches Zeitung de Viena", sobre a qual, dentre outros elogios, afirmou que "não deixou nada a desejar a qualquer apresentação européia".Enquanto isso, Marcos Portugal sofreu um "estupor", que paralisou o seu braço direito.Ainda em 1817, o príncipe Dom Pedro casou, por procuração, com a arquiduquesa Maria Leopoldina Josefa Carolina, filha do Imperador da Áustria. A arquiduquesa, que teve uma rigorosa educação religiosa e musical, chegou ao Rio de Janeiro em cinco de novembro, e trouxe com ela um conjunto de 16 músicos, liderados por Erdmann Neuparth, que permaneceria no Brasil. O padre compôs para o conjunto uma série de 12 Divertimentos, recebeidos com entusiasmo, cujas partituras originais seperderam.Logo depois, a pedido do príncipe regente, José Maurício compôs a ópera "Le Due Gemelle", a primeira do gênero escrita por compositor brasileiro. A partitura original mais tarde seria destruída no incêndio do Teatro Real de São João em 1825. Outro exemplar teria ficado em poder de Marcos Portugal, mas o acervo do compositor também se perdeu.Apenas uma obra sua de 1817 é hoje conhecida: a "Trezena de São Francisco de Paula" (CPM 75), composta para a igreja do santo.Em fevereiro de 1818, o príncipe regente foi aclamado rei João VI de Portugal, Brasil e Algarves. Uma nova ala, feita em madeira, foi construída especialmente para a cerimônia de aclamação, ao lado do Real Paço. O "Te Deum pela Feliz Aclamação" já estava composto por Marcos Portugal, provavelmente antes do derrame que sofreu. A Missa, como mencionado acima, foi composta por Neukomm.No ano de 1818, a produção prosseguiu. O padre compôs, para a Ordem Terceira do Carmo, a "Novena de N. Sr.ª do Carmo" (CPM 67) e a "Missa para a Festa de N. Sr.ª do Carmo" (CPM 110), que regeu com os músicos da Capela Real. Compôs também um "Qui Sedes e Quoniam" (CPM 163), para o aluno Cândido Inácio da Silva. À Fazenda Real de Santa Cruz, escreveu três motetos: "Moteto dos Apóstolos" (CPM 57),  um "Moteto das Virgens" (CPM 58), e o "Moteto para a Festa de Degolação de S. João Baptista" (CPM 60). E, finalmente, uma "Missa de Degola" (CPM XXCV), para a festa da degolação de S. João Baptista, terminada em 20 dias, na Real Fazenda.Em 1819, nasceu a primeira filha do príncipe Dom Pedro e da princesa Leopoldina, batizada Maria da Glória, a futura rainha Maria II de Portugal. O Senado nomeou o padre para reger a missa em ação de graças, celebrada na Igreja de São Francisco de Paula.Do ano de 1820, um pequeno número de obras do padre são hoje conhecidas: um "Credo em Ré Maior" (CPM 127) para vozes e órgão, a orquestração do salmo "Laudate Pueri Dominum" (CPM 77), que escrevera em 1813, e a "Missa Mimosa" (CPM 111). Provavelmente dessa época também são as "Matinas da Conceição de Nossa Senhora" (CPM 174).O ano de 1820 foi marcado por intensa atividade política em Portugal. O povo exigia o retorno imediato da família real, o que levou à Revolução Constitucionalista do Porto. Os aristocratas portugueses no Rio de Janeiro também davam sinais de insatisfação, pois não havia mais motivos para estarem longe do Reino.A INDEPENDÊNCIA DO BRASILEm abril de 1821, o rei retornou a Portugal, para um período de reinado constitucional. Ele deixou o filho Pedro como regente do Brasil, a quem disse as hoje famosas palavras: "Pedro, se o Brasil se tornar independente, toma a coroa para ti, antes que um desses aventureiros dela lance mão, pois sei que me hás de respeitar", e deixou o Rio de Janeiro com muitas preocupções sobre o próprio futuro.Foi um dia triste para José Maurício, que considerava o rei um apreciador da sua música. Ele recebeu como recompensa pelo serviço de 13 anos na corte uma caixa de tabaco decorada com ouro e pedras preciosas, com o retrato do rei de marfim.Marcos Portugal permaneceu no Brasil, agora no cargo de professor de música do príncipe regente.Sigismund Neukomm partiu para a França uma semana antes da viagem de retorno do rei a Portugal. Além de ter sido o primeiro compositor a utilizar um tema folclórico brasileiro numa composição, fez uma importante contribuição para a história da música brasileira, colocando no papel algumas modinhas de Joaquim Manoel da Câmera, um cantor popular e guitarrista da época. De acordo com o testemunho de Manoel de Araújo Porto Alegre, quando deixou o Rio, o padre preparava uma apresentação da "Criação" de Haydn, cuja partitura Neukomm o presenteou, mas que não aconteceu. Em vez disso, o padre compôs dois salmos arranjados sobre temas da magnífica obra.  Neste ano de 1821, também compôs um "Laudamus" que lembra a música de Rossini, cujas óperas começavam a fazer sucesso nos teatros do Rio de Janeiro.A partida da corte portuguesa foi um desastre para as finanças públicas do país. Eles levaram consigo o que podiam, deixando o Banco do Brasil à falência. As dificuldades financeiras obrigaram o príncipe a cortar os benefícios extras concedidos aos músicos da corte, incluindo a "ração de creado particular" de José Maurício, mantendo apenas o salário integral.A partir do segundo quartel de 1822, José Maurício passa a receber o salário trimestral (a côngrua) como capitular (integrante do Cabido da Sé); mesmo preservado o vencimento básico, reivindicou numa carta ao príncipe o benefício extra concedido por D. João VI, justificando-a como um pagamento pelo seu ensino público de música. Tendo o pedido negado, ele decidiu encerrar o curso de música que ministrou por 28 anos.A desordem financeira pôs os brasileiros contra os comerciantes portugueses, cujos interesses eram díspares. A aristocracia portuguesa em Lisboa pressionava o rei a assinar um ato que retiraria do Brasil a condição de Reino Unido. O príncipe regente, temendo revoltas que levariam a ver o país dividido em pequenas repúblicas, como na América espanhola, no caminho para a cidade de São Paulo, aos 7 de setembro de 1822 declararou a independência do Brasil de Portugal. Em 1º de dezembro, ele foi coroado imperador Pedro I do Brasil.Desse ano crucial, a única obra conhecida de José Maurício é a "Novena do Santíssimo Sacramento" (CPM 75). Há registros de que a vila de Pindamonhangaba encomendou-lhe um "Te Deum", apresentado na missa de ação de graças ao príncipe regente quando por lá passou.Portugal declarou guerra ao Brasil. As províncias do sul permaneceram leais ao imperador, mas Portugal ainda controlava o norte. Em 21 de Março de 1823, o Imperador decidiu atacá-los com a frota brasileira, sob o comando do almirante inglês Lord Cochrane que, na maioria das ocasiões por blefe, conseguiu a rendição das embarcações inimigas.Há apenas uma obra conhecida, escrita em 1823: a "Missa Abreviada" (CPM 113). Nesse mesmo ano, a Capela Real foi rebatizada "Capela Imperial".OS ÚLTIMOS ANOSEm 1826, como comprovado em pesquisas recentes, o rei D. João VI morreu envenenado. A notícia da morte do monarca causou comoção no Rio de Janeiro, e em especial em José Maurício.Nesse ano, dois de seus alunos, em nome da irmandade de Santa Cecília, encomendaram-lhe a uma "Missa a grande orquestra". A hoje conhecida "Missa de Santa Cecília" (CPM 113), apresentada em 22 de novembro desse ano, seria o último trabalho. É uma obra monumental, e a partitura autógrafa mais tarde foi doada pelo filho, o Dr. José Mauricio Nunes Garcia Jr., a título de taxa de admissão ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.Nesse ano, eclode outra guerra, dessa vez na Província Cisplatina. Numa demonstração de que ainda era prestigiado, consegue a dispensa do serviço militar para o filho, recrutado à força nas ruas do Rio de Janeiro para lutar no sul.De 1826 a 1830, José Maurício dedicou-se a rever a orquestração de sua maior missa, e escreveu um Tratado de Harmonia e Contraponto, que se perdeu.Em 1828, renunciou ao título de Cavaleiro do Hábito de Cristo, em benefício de Apolinário José, o único que reconheceu como filho. Este mudou o nome para José Maurício Nunes Garcia Jr.No início de 1830, morava numa casa na Rua do Núncio, atualmente rua República do Líbano.Em fevereiro 1830 Marcos Portugal morreu, sendo sepultado no Convento de Santo Antônio. José Maurício, pressentindo que sua vez havia chegado, mandou transportar a própria cama para o primeiro andar da casa, "para não dar trabalho". Em 18 de abril, presentes o filho e um escravo, ele morreu, sussurrando um hino a Nossa Senhora. A irmandade de Santa Cecília foi responsável pela missa fúnebre. Na cerimônia, uma pequena orquestra executou a "Sinfonia Fúnebre" (CPM 230), composta 40 anos antes. Foi sepultado na igreja de São Pedro dos Clérigos.POST MORTEMO mestre de capela não foi esquecido pelos alunos, que continuaram copiando-lhe as obras. A "Missa de Santa Cecília" (CPM 113) foi apresentada uma segunda vez, em 1830.Em 1831, o Imperador Pedro I abdicou do trono brasileiro em nome do filho Pedro, então com cinco anos de idade. Ele embarcou para a Inglaterra, a fim de montar uma frota para lutar contra o irmão Miguel, que usurpara o trono português de sua filha Maria da Glória.Um governo regencial foi estabelecido no Brasil até a idade adulta da criança. Um dos primeiros decretos do novo governo dissolveu a Orquestra da Capela Imperial. Alguns dos músicos demitidos sobreviveram como professores de música, alguns como copistas. Mas a maioria deles experimentou o desemprego e a pobreza.Em 1840 o príncipe D. Pedro, aos 14 anos, foi coroado imperador Pedro II. Em 1842 ele deu os primeiros passos para restaurar a atividade musical na Capela Imperial, ao nomear Francisco Manuel da Silva, um ex-aluno de José Maurício, mestre de capela. O repertório mauriciano passou a ser novamente apresentado, mas com reformulações, a título de "modernização" das obras.Francisco Manuel compôs a música do hino nacional brasileiro, inspirada a melodia num motivo recorrente em algumas das obras sacras do padre-mestre e a introdução numa missa de Marcos Portugal. Ele também fundou o Conservatório Imperial de Música, a atual Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.Em Campinas, São Paulo, Manuel José Gomes, o pai do compositor Carlos Gomes, reuniu 14 cópias das composições de José Maurício num arquivo pessoal.Outras cidades importantes que preservaram o repertório mauríciano ficam no estado de Minas Gerais. Em São João D'El Rey, a Sociedade Musical Lira Sanjoanense, fundada em 1776, possui muitas cópias, algumas delas únicas, de obras do padre-mestre. E a Orquestra Ribeiro Bastos, na mesma cidade, não fica atrás. Em Ouro Preto, o Museu da Inconfidência é o atual proprietário da coleção de partituras reunidas pelo musicólogo alemão Francisco Curt Lange, incluído o manuscrito autógrafo da "Missa Abreviada" (CPM 112), de 1823.Mas a preservação da maior parte das obras mauricianas se deve a Bento das Mercês, arquivista e copista da Capela Imperial. Ele fez cópias precisas de muitas das obras, criando um arquivo pessoal que foi posteriormente adquirido, a partir dos herdeiros, pelo governo brasileiro. Hoje, a coleção, denominada "Gabriela Alves de Souza", pertence à Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.Na Escola de Música também há duas outras coleções importantes, nas quais figuram obras do padre-mestre: a da Fazenda Real de Santa Cruz, e a de Francisco Manuel da Silva. O primeiro dos diretores da Escola, Leopoldo Miguez e o compositor Alberto Nepomuceno (1864-1920) estudaram e editaram muitas das partituras mauricianas.Outro dos seus admiradores era Alfred d'Escragnolle, Visconde de Taunay, um neto de Nicholas Antoine Taunay. Taunay escreveu em jornais vários artigos e textos sobre o compositor, e depois de eleito para a câmara em 1881, apresentou em 1882 um projeto de lei destinado a rastrear todas as obras do padre-mestre, que não foi aprovado. Seu filho Alfonse reuniu os textos do pai, e os publicou em 1930 em dois livros: "José Mauricio Nunes Garcia", e "Duas grandes glórias brasileiras: José Maurício e Carlos Gomes".Após a morte de Nepomuceno, em 1920, rarearam as apresentações de obras mauricianas. Em 1930, o "Requiem" (CPM 185), foi apresentado na Igreja da Candelária, regido pelo compositor Francisco Braga. Essa mesma obra foi apresentada em 1948, em memória do compositor Lorenzo Fernandez.Em 1941, a musicóloga e maestrina Cleofe Person de Mattos (1913-2002), professora da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fundou o Coro Pró-Arte, mais tarde Associação de Canto Coral, um instituição sem fins lucrativos, cujo objetivo era, como ainda é hoje, divulgar a música brasileira, especialmente as obras mauricianas.Mattos escreveu e publicou, pelo Conselho Federal de Cultura, em 1970, um "Catálogo Temático das obras de José Maurício Nunes Garcia", um rigoroso levantamento de todas as obras mauricianas. Na década de 1980, ela ajudou a publicar, pela Fundação Nacional de Arte (FUNARTE), algumas delas. E, finalmente, em 1997, ela publicou, pela Biblioteca Nacional, o livro "José Mauricio Nunes Garcia - Biografia", no qual a rigorosa pesquisa científica mistura-se ao romance biográfico.PESQUISAS ATUAISNa primeira década do século XXI, a internet tornou-se uma grande ferramenta na divulgação do patrimônio musical brasileiro.de 2001 a 2003, no âmbito do projeto "Restauração e difusão de Partituras", foram digitalizadas, editadas e gravadas algumas das partituras mauricianas pertencentes ao Museu da Música de Mariana, MG. (http://www.mmmariana.com.br/index2.htm). Acesso: 7/10/2011.Em 2005, o Acervo Musical do Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro, contendo partituras de 55 obras mauricianas, além de impotrantes obras de Marcos Portugal e de outros compositores que contribuíram para a Capela Real, foi digitalizado e agora está disponível na web (http://www.acmerj.com.br). Acesso: 7/10/2011.A Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro também disponibilizou parte da Coleção Gabriela Alves de Souza na internet (http://www.docpro.com.br/escolademusica/bibliotecadigital.html). Acesso: 7/10/2011.Em 2007, o projeto "Disponibilização do Acervo Cleofe Person de Mattos" disponibilizou na internet o acervo pessoal digitalizado de Cleofe Person de Mattos (http://www.acpm.com.br) Acesso: 7/10/2011.E, por último, o site "Musica Brasilis", de 2009, torna disponíveis edições modernas e partes das obras mauricianas.Fonte: Antonio Campos Leia mais Nascimento: Brasil Rio de Janeiro RJ, 22/9/1767
Falecimento: Brasil Rio de Janeiro RJ, 18/4/1830

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