João de Deus de Castro Lobo
1794 - 1832
É considerado o maior nome da música religiosa mineira do início do século XIX. Nasceu em Vila Rica em 1794. Estudou contraponto no Seminário de Ribeirão do Carmo (atual Mariana), foi padre da Igreja de São Pedro, organista e mestre-de-capela da Igreja de Nossa Senhora da Sé, na mesma vila. Ordenou-se padre em 1822. Pouco depois tornou-se mestre de capela da catedral da cidade, permanecendo no c…
É considerado o maior nome da música religiosa mineira do início do século XIX. Nasceu em Vila Rica em 1794. Estudou contraponto no Seminário de Ribeirão do Carmo (atual Mariana), foi padre da Igreja de São Pedro, organista e mestre-de-capela da Igreja de Nossa Senhora da Sé, na mesma vila. Ordenou-se padre em 1822. Pouco depois tornou-se mestre de capela da catedral da cidade, permanecendo no cargo até a morte, em 1832. Incorporou, em sua valiosíssima obra religiosa, o Classicismo e o Romantismo, influenciado pela ópera italiana, o que o distingue dos demais compositores mineiros do século XVIII. De sua obra são conhecidas, entre outras, as músicas Tantum Ergo, Credo em Fá, antífonas Ego sum-Beata es Virgo-Ornatam monilubus, Matinas do Espírito Santo e Novena de São Francisco de Assis, sendo o exemplo mais elaborado a sua Missa a 8 vozes. Tem dezenas de obras no Museu de Música Mariana O pesquisador Harry Crowl Jr comenta uma rara obra orquestral da autoria do padre João de Deus Castro Lobo (1794-1832): “A música por nós até agora conhecida do período colonial mineiro, assim como de quase todo o Brasil Colônia, consiste integralmente de obras sacras destinadas aos mais diversos serviços religiosos da época. Portanto, a importância da descoberta de uma abertura orquestral escrita na primeira metade do século XIX torna-se muito relevante. “A Abertura em Ré Maior do Padre João de Deus Castro Lobo foi descoberta por acaso... Quando me deparei com aqueles manuscritos... a qualidade da música chamou-me a atenção... “Sua obra, totalmente dentro da liturgia, demonstra uma sólida formação contrapontística, assim como grande domínio da orquestração de sua época. Seu estilo já é essencialmente pré-romântico, com claras influências da ópera rossiniana. De suas quase 50 obras que chegaram até nós, podemos dizer que as importantes são a Missa em Ré Menor, as Matinas de Natal, as Matinas do Espírito Santo, a Missa e Credo a 8 Vozes e Orquestra, e a presente Abertura em Ré Maior. “A influência da ópera italiana... justifica plenamente esta abertura, pois esta não mais se enquadra nos esquemas da abertura italiana ou da “ouverture” francesa, e sim na forma que poderíamos denominar de “sinfonia simplificada”, muito comum nos compositores do final do século XVIII e início do século XIX. Esta forma semelhante ao primeiro movimento de uma sinfonia pré-romântica apresenta uma espécie de fusão entre os estilos italiano e francês, consistindo quase sempre em duas partes, uma introdução lenta, como na abertura francesa e uma segunda parte rápida com contrastes obedecendo com certa liberdade à forma sonata. “No caso da Abertura do padre João de Deus Castro Lobo, a introdução está confiada a um diálogo entre as cordas e flautas que conduzem uma melodia que lembra a modinha, tão em voga no Brasil da época”. De Castro Lobo foi lançada em 1997 uma gravação da obra Stabat Mater no CD “Música do Brasil Colonial: compositores mineiros”, composta para coro misto, violinos, viola, duas flautas, duas trompas e baixo; utiliza “desenhos melódicos que evocam o stilo concertato... reminiscência da primeira fase do barroco” (Duprat e Baltazar, 1997). Fonte: http://www.calleres.net
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Nascimento: Brasil Vila Rica
MG,
16/3/1794
Falecimento: Brasil Mariana MG, 1832
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