Silvio Deolindo Fróes
1864 - 1948
Sílvio Deolindo Fróes, nasceu em Salvador, a 26 de outubro de 1864, filho de Salustiano Ferreira Fróes, doutor em direito pela Universidade de Paris. Homem muito rico, dono inclusive de escravos, casou-se com uma alemã, Adelaide Emilia, filha do barão Von Enghenswartz. Formada pelo Conservatório de Música de Paris, onde o pai desempenhava funções diplomáticas, era cantora lírica e pro¬fessora de…
Sílvio Deolindo Fróes, nasceu em Salvador, a 26 de outubro de 1864, filho de Salustiano Ferreira Fróes, doutor em direito pela Universidade de Paris. Homem muito rico, dono inclusive de escravos, casou-se com uma alemã, Adelaide Emilia, filha do barão Von Enghenswartz. Formada pelo Conservatório de Música de Paris, onde o pai desempenhava funções diplomáticas, era cantora lírica e pro¬fessora de música, canto e de línguas.Aos quatro anos Sílvio iniciou-se na música estudando piano, tendo como mestra a própria mãe, que também lhe ensinou a falar francês, italiano e alemão. Talento precoce nas artes musicais, aos dez anos escreveu a pri¬meira peça, Harmonias, título que, de¬pois, por sugestão da genitora, mudou para Música dos Anjos.Em abril de 1880, quando esteve em Salvador, na residência do comendador Teixeira Gomes, o já consagrado maestro Carlos Gomes ficou encantado com o menino prodígio, ao vê-lo tocando piano e fazendo um improviso com três motivos de "O Guarany".Com 18 anos foi prestar exames para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro, pois, além de músico queria ser engenheiro. Na capital brasileira, também deu continuidade na trajetória musical, aperfeiçoando-se com o maestro Miguel Cardoso. Depois do retomo a Salvador, decidiu ir para a França, em 1888, fixando residência em Paris, onde iria aprimorar os conhecimentos em harmonia, contraponto, composição e órgão. Esteve em vários países e passou uma temporada de estudos na Alemanha, em Leipzig e Karlsruhe.Na França deu vazão à uma intensa atividade artística, como compositor, organista e regente de suas próprias criações. Participou de inúmeros concertos nas mais afamadas salas parisienses, obtendo o reconhecimento da exigente crítica francesa, que, finalmente, passou a dirigir elogios ao seu talento em produzir obras para quartetos, quintetos e orquestras. Depois de dez anos no exterior, Silvio Fróes voltou à Bahia. Consagrado na França, retornou à Europa para uma série de apresentações, em diversas cidades. Mas, a maior parte dos concertos foi em Paris, onde se exibiu em locais famosos, tais como, a Sala Herz (abril, 1902), Sala Pleyel (janeiro, 1903) e na Maison Musicale (junho, 1903).Durante uma visita ao Engenho Santa Cruz, na região de São Francisco do Conde, conheceu Anna América, prima em terceiro grau. Foi amor à primeira vista, apaixonou-se pela mulher que tocava piano, falava fluentemente o francês e era muito bonita. Casaram-se em 1908, ele com 44 anos e ela com 28. Tiveram três filhos. Sílvio Deolindo Fróes faleceu em Salvador, três anos após a esposa, no dia 3 de dezembro de 1948, aos 84 anos. Nas exéquias, conforme o seu desejo, foi executada a "Marcha Fúnebre", de sua autoria. Deixou uma vasta produção musical e contribuiu de forma decisiva na formação artística de inúmeros baianos e brasileiros.Engenheiro, matemático, filólogo, poeta, compositor, maestro, arranjador, orquestrador, instrumentista, professor e autor de artigos para revistas e jornais, no país e no exterior. Sílvio Fróes foi durante quatro décadas diretor do Instituto de Música da Bahia, onde também lecionou artes musicais, nas disciplinas: contraponto e fuga, harmonia, análise harmônica, piano e harmônio. Na manhã de 7 de março de 1975 o governador Antônio Carlos Magalhães, inaugurou nos Jardim das Artes, defronte ao Palácio da Aclamação, um monumento com o busto de Sílvio Deolindo Fróes, que o próprio ACM havia encomendado ao escultor Ismael de Barros. Foi a homenagem do Governo do Estado a quem se devia a instalação do ensino regular da música na Bahia.O ensino regular começou através de um estabelecimento estruturado e organizado pelo mestre, assim que chegou da França, em 1898. Desde 1969, com o nome de Instituto de Música da Universidade Católica de Salvador, além de guardar as partituras do compositor, o seu salão para concertos musicais e recitais de canto, com capacidade para 500 pessoas, chama-se Sílvio Deolindo Fróes. Em 1976 uma musicóloga desta unidade universitária, Hebe Machado Brasil, lançou um livro de sua autoria, "Fróes, um Notável Músico Baiano".Em 2001, o Governo da Bahia, através da Secretaria de Cultura e Turismo, com a colaboração da Universidade Federal da Bahia, patrocinou a edição de um CD que resgatou uma parte do valioso acervo do compositor. A iniciativa buscou, também, com a divulgação de extraordínárias músicas eruditas, estimular os jovens artistas a estudarem e incluírem em seus concertos obras do genial autor.Lançado pelo selo "Sons da Bahia", o CD denominado Sílvio Deolindo Fróes, con¬tém 13 composições selecionadas de um repertório clássico e de alto nível. Ei-las: Evocation, Opus 4; Un Petit Cimetiêre; FIeur Mourante, Opus 2; Dança das Folhas Secas, Opus 17, n° 6; Dimanche an Village, Opus 7, n° 7; Prelúdio, Opus 17, n° 1; Rajada, Opus 17, nº 3; Queixas da Velha Árvore, Opus 17; n° 4; Vozes d' Alva, Opus 17, nº 2; O Que Diz a Selva ao Mar, Opus 17, n° 5; Matinata, Opus 10, n° 1; Me¬lopée, Opus 10, n° 2; La Sirinetta, Opus 9.As músicas foram gravadas pela cantora lírica Graça Reis e pelos pianistas Paulo Gondim e Fernando Lopes, num espetáculo realizado no Teatro ACBEU. No livreto da apresen¬tação, que acompanha o CD, o diretor da Escola de Música da Ufba, Oscar Dourado, que pesquisou as obras do compositor, fez o seguinte registro: “O talento e refinamento musicais de S. D. Fróes receberam o reconheci mento de público e crítica do seu tempo, aqui e no exterior, inclusive, por grandes mestres da cultura ocidental, como por exemplo: C. Widor, G. Danuzzio e C. Saint-Saens”. Em 2002 a Prefeitura de Salvador colocou um marco no local onde fica¬va a última casa do músico, bem junto à Igreja dos Aflitos, onde ele freqüentemente tocava harmônio e órgão em concertos sacros. O monumento consta de um baixo-relevo em bronze, confeccionado por Nanci Novais, e uma placa de aço inoxidável, com a seguinte informação: “Em imóvel edificado neste local, Ladeira dos Aflitos n° 59, demolido em 16 de julho de 1974, residiu Stlvio Deolindo Fróes - maestro baiano, fundador da Escola de Música da Bahia, membro da Academia Brasi¬leira de Música e da Academia de Ciências de Paris - artista a quem se deve muito o desenvolvimento musical da Bahia. Sua obra é composta de óperas e músicas para piano, órgão, harmônio e violino”.Fonte: http://www.bahiadestaquedobrasil.com.br/?submenu=210
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Nascimento: Brasil Salvador
BA,
26/10/1864
Falecimento: Brasil Salvador BA, 3/12/1948
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