Paulino Chaves
1883 - 1948
Tive a intenção de resgatar a obra do Maestro Paulino Chaves, meu avô, para divulgá-la a quem deseja conhecê-la, estudá-la, tocá-la ou ouvi-la. A editoração de suas músicas e disponibilização almeja sanar a dificuldade de ter acesso à elas, pois a maior parte de seus manuscritos se encontram depositados na “Biblioteca Alberto Nepomuceno” da Escola de Música, com acesso ao público através de agen…
Tive a intenção de resgatar a obra do Maestro Paulino Chaves, meu avô, para divulgá-la a quem deseja conhecê-la, estudá-la, tocá-la ou ouvi-la. A editoração de suas músicas e disponibilização almeja sanar a dificuldade de ter acesso à elas, pois a maior parte de seus manuscritos se encontram depositados na “Biblioteca Alberto Nepomuceno” da Escola de Música, com acesso ao público através de agendamento. Meu trabalho de pesquisa começou com uma garimpagem na referida biblioteca que pertence à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nela o Maestro foi nomeado Professor Interino em 15/06/1928 de Solfejo e Teoria do que era então o Instituto Nacional de Música e Professor Honorário em 23/05/1929. Foi indicado por Heitor Villa Lobos para ser membro da Academia Brasileira de Música e ocupar a cadeira nº10. Porém, morreu em 30 de julho de 1948 sem poder assumi-la.O conjunto de sua obra vem sendo resgatado desde 2000 nos acervos da família e de 2005 até 2006 nas Bibliotecas da Fundação Carlos Gomes (Belém/PA); Biblioteca do Museu da Universidade Federal do Pará, acervo de Vicente Salles seu biógrafo (Belém/PA); de 2006 até 2008 no Rio de Janeiro, Biblioteca Alberto Nepomuceno – Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro e DIMAS (Divisão de Música e Arquivo Sonoro) da Fundação Biblioteca Nacional.Paulino Chaves viveu do final do século XIX ao fim da primeira metade do século XX. Nasceu em Natal/RN em 26/06/1883 e com quatro meses, seguiu com sua família para Belém/PA, onde seu pai, o desembargador Ernesto Adolpho de Vasconcellos Chaves (Carolina Lins Chaves, sua mãe) fora designado.Iniciou seus estudos de música com a mãe e a professora Idalina França, em Belém/PA. Segue para Leipzig onde em 1902, diploma-se no Real Conservatório de Leipzig. Foi o único pianista paraense que naquela época se aperfeiçoou na Alemanha, diferente dos demais que estudaram na França e na Itália.Esteve duas vezes em Leipzig: de 1899 a 1902 e depois de 1913 a 1914. Seus professores foram: Robert Teichmueller (piano); Salomon Jadassohn (harmonia, contra-ponto e fuga) e Paul Quasdorf. Em 27 de janeiro de 1902, ganhou um concurso de piano onde lhe foi conferido o “Mozart-Stipendium” pelo “Directorium” do Conservatório de Leipzig. Esse “Directorium” era composto por Corpo Docente, Corpo Discente, jornalistas e críticos locais e um grupo da comunidade.A obra de Paulino Chaves tem como base estilística o romantismo alemão de Bach, Beethoven e Brahms, com fortes influências do modernismo wagneriano, cuja obra ele pode vivenciar em Leipzig, na escola de Teichmuller e na regência de Niksch. Sua Obra teve, portanto, influência europeia, lembrando também estilos próprios dos períodos barroco, clássico e romântico, que não correspondem com as obras que ele tocava em público - os difíceis concertos com que ele se apresentava - e que eram peças de imensa virtuosidade. Seu Quarteto de Cordas em Lá maior tem traços do classicismo além de alguns momentos do estilo de Vivaldi, e ele termina o quarto movimento com um tema folclórico de Belém do Pará, próprio do nacionalismo.Na juventude sofreu influência da música italiana produzindo peças de salão: valsas, schottisches, quadrilhas e pequenos ensaios de óperas calcados no melodismo italiano, pois era o estilo consumido na década de 1890 em Belém. Compôs na maturidade peças para piano, piano e canto, estudos, peças didáticas, diversos estudos para prova de leitura à 1ª vista, canções, valsas, hinos, músicas sacras, quartetos de cordas, incluindo uma sinfonia e uma missa.Introduziu no Pará a regência moderna com os conhecimentos adquiridos com Arthur Nikish. Veio pela primeira vez ao Rio de Janeiro em maio, depois junho de 1908. No dia 3 de agosto do mesmo ano, abriu o programa da "Exposição Nacional", comemorativa do Centenário da Vinda de D. João VI para o Brasil, com o "1º "Concerto em Mi Bemol", de Franz Lizst, regido por Alberto Nepomuceno. Neste ano, excursiona por várias cidades (Natal, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro) se apresentando como solista e regente. Transfere-se em 1910 para Manaus/AM) onde obteve por concurso a cátedra de música da Escola Normal do Amazonas. Em 1914, cria o que poder-se-ia chamar de a primeira escola pianística paraense, uma espécie de curso preparatório para aqueles pianistas que queriam seguir para cidade de Leipzig, Alemanha. Em 1915, cria e dirige o "Centro Musical Paraense". Trabalhou a técnica do "Coro Orfeônico" nas suas atividades de professor nas escolas de Belém e Manaus e o "Coral Sacro" na direção do "Coro de Santa Cecília" que se originou do grupo "Canto Coral Paulino Chaves" fundado em 1916. Em 1918, funda o "Quarteto Beethoven" difundindo a música de câmera. É notável sua preferência pela grande orquestra pois quase todas as suas composições para piano, piano e canto, eram transcritas para orquestra. No segundo trimestre de 1928, Paulino Chaves mudou-se para o sudeste do Brasil.Como pianista e regente foi ovacionado tanto na Alemanha como no Brasil, em capitais como Belém, Manaus, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro e em outras tantas cidades por onde se apresentou. Foi um grande virtuose e um batalhador incansável como impulsionador da música no Pará e no Rio de Janeiro.Morreu no Rio de Janeiro em 30 de julho de 1948, rodeado pelos filhos e parentes queridos. Depois de seu funeral que se deu no Cemitério de São João Batista- Botafogo, foi homenageado em concertos e sua casa em Belém recebeu uma placa com seu nome.por Lúcia Maria Chaves Tourinho, pianista e pesquisadora
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Nascimento: Brasil Natal
RN,
26/6/1883
Falecimento: Brasil Rio de Janeiro RJ, 30/7/1948
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