“Lundu Brasileiro” em 4 unidades do Sesc RJ
Resgate da gênese da música brasileira
Introduzido no Brasil pelos escravizados oriundos de Angola, o LUNDU foi a semente de gêneros tipicamente brasileiros – o maxixe, o choro, o samba –, e influenciou grandes compositores.
O espetáculo idealizado pela pesquisadora Rosana Lanzelotte percorre unidades do SESC RJ de quatro cidades fluminenses, destacando a importância do gênero que influenciou maxixe, choro e samba e incluem exemplos dos primeiros lundus compostos no país, bem como obras de Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Villa-Lobos. As peças musicais são contextualizadas por comentários que as situam em seu contexto sócio histórico, no roteiro concebido por Rosana Lanzelotte.
“Lundu Brasileiro”
No programa, serão apresentados exemplos dos primeiros lundus compostos no país, assim como obras de compositores influenciados pelo estilo, entre eles Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Villa-Lobos. As peças musicais são intercaladas por comentários que as inserem em seu contexto sócio-histórico, a cargo dos músicos Marina Spoladore (piano), José Staneck (harmônica) e Ricardo Santoro (violoncelo).
O exemplo mais remoto de lundu conhecido hoje é o que foi descoberto pelos naturalistas Spix e Von Martius durante a expedição realizada pelo interior do Brasil entre 1817 e 1820. Um raro exemplo de lundu instrumental – o Landum das Beatas – localizado pela pesquisadora Rosana Lanzelotte na Biblioteca da Ajuda (Lisboa) será apresentado pela primeira vez no Brasil.
Avançando pelo século XIX, o programa apresenta o lundu “Isto é bom”, de Xisto Bahia, a primeira peça gravada no Brasil, em 1902, pela Casa Edison, fundada por Fred Figner. Espalhando-se por todo o país, o gênero deixou suas marcas no Norte pelas mãos de dois dos principais compositores do Maranhão: Leocádio Alexandrino dos Reis Rayol (1849-1909) e Antônio dos Reis Rayol (1863-1904). Já Ernesto Nazareth iniciou a carreira de compositor aos 14 anos ao escrever a polca-lundu “Você bem sabe”. O célebre “Lundu da Marquesa de Santos”, de Villa-Lobos, é um dos pontos altos do programa.
PROGRAMA:
Anônimo, recolhido por Spix and Von Martius
- Lundum
Joze Constantino Vallucci
- Landum da Beatas (estreia moderna)
Xisto Bahia
- Isto é bom
Leocádio A. dos Reis Rayol
- Lundu dos Progressistas da Cidade Nova
Antônio dos Reis Rayol
- Lundu do Açaí
Ernesto Nazareth
- Batuque
- Odeon
Chiquinha Gonzaga
- Lua Branca
- Gaúcho
H. Villa-Lobos
- Lundu da Marquesa de Santos
E. Villani-Côrtes
- Cinco Miniaturas Brasileiras
Todas as partituras utilizadas nos espetáculos estão gratuitamente disponíveis no portal Musica Brasilis (https://musicabrasilis.org.br/).
Músicos: Marina Spoladore (piano), José Staneck (harmônica) e Ricardo Santoro (violoncelo).
Direção artística e pesquisa: Rosana Lanzelotte
Produção executiva: Cíntia Pereira
Iluminação: Wilian Sales
Sobre os músicos
Marina Spoladore (piano): pianista paranaense, professora assistente do departamento de piano e cordas da UNIRIO, conquistou mais de 30 prêmios em concursos nacionais e latinoamericanos. É bacharel em Piano pela UFRJ, mestre em Musicologia pela UNIRIO e doutora em Performance Musical pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atua intensamente no cenário da música contemporânea, além de se apresentar como recitalista, solista e camerista, como integrante do Abstrai Ensemble e do Trio Paineiras.
José Staneck (harmônica): músico, concertista, Mestre em música, produtor e editorador, Staneck faz de sua harmônica um instrumento de transformação. Chamado de David Oïstrakh da harmônica pelo crítico francês Olivier Bellamy e comparado aos músicos Andrés Segovia e Mstislav Rostropovich por sua atuação na divulgação do instrumento pelo crítico Luiz Paulo Horta, desenvolve um estilo próprio onde elementos tanto da música de concerto quanto da música brasileira e do jazz se fundem numa sonoridade marcante. Estudou harmonia com Isidoro Kutno, análise com H. J. Koeullreutter e interpretação com Nailson Simões. Em 2007, obteve o título de Mestre pela UNIRIO. Desenvolve importante trabalho na área do ensino levando sua música para crianças em diversas localidades do Brasil. Atua com diferentes formações camerísticas e já foi solista de diversas orquestras sinfônicas brasileiras e internacionais, incluindo a tournée aos EUA junto à Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo no icônico Carnegie Hall em Nova Iorque, sob a regência da maestrina Marin Alsop.
Ricardo Santoro (violoncelo): é Mestre pela UFRJ e violoncelista das orquestras Sinfônica Brasileira e Sinfônica da UFRJ. Faz parte dos conjuntos Duo Santoro, Trio Aquarius, Trio Mignone, Harmonitango e Quarteto Atlas, com os quais já se apresentou nas principais salas de concertos do Brasil, dos Estados Unidos, da Alemanha, da Argentina e da República Dominicana, e com os quais gravou sete CDs, sendo seis dedicados à música brasileira e um dedicado a Astor Piazzolla.
Apresentações:
14/03/2025 - 19h - Sesc São Gonçalo
Endereço: Av. Pres. Kennedy, 755 - Estrela do Norte, São Gonçalo
06/05/2025, 19h – SESC Tijuca
Endereço: R. Barão de Mesquita, 539 - Tijuca
25/10/2025, 19h30 – SESC Teresópolis
Endereço: Av. Delfim Moreira, 749 - Várzea, Teresópolis - RJ
29/11/2025, 19h30 – SESC Nova Friburgo
Endereço: Av. Pres. Costa e Silva, 231 - Centro, Nova Friburgo
Todos os espetáculos contaram com:
Classificação: Livre
Duração: 60 minutos
Ingressos:R$15,00 (inteira), R$7,50 (meia entrada para casos previstos por lei, estendida a professores e classe artística mediante apresentação de registro profissional e programa Mesa Brasil), R$ 7,50 (convênio), R$5,00 (credencial plena), gratuito (público PCG).
Acessibilidade: Intérprete de libras
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