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D. Pedro I do Brasil, IV de Portugal - Hinos e Marcha Imperial

Alberto José Vieira Pacheco

ISBN: 978-65-994082-0-5

Introdução

É bem conhecida a vida do estadista D. Pedro I do Brasil, IV de Portugal (Queluz, 12/10/1798 – 24/09/1834). Da mesma forma, sua importância na história luso-brasileira é atestada por qualquer manual escolar. Por outro lado, a produção musical acabou sendo eclipsada pela sua atividade política, e ainda aguarda ser avaliada e estudada de forma exaustiva. Neste contexto, esta publicação pretende ser uma contribuição para conhecermos melhor a obra musical desta importante personagem.    

Antes de mais, é necessário fazer uma breve apresentação da “vida musical” do primeiro imperador do Brasil1. Sua formação musical deve ter sido iniciada ainda em Portugal. Seu principal e mais constante professor foi Marcos Portugal2 (1762-1830), mas muito provável que tenha recebido lições com outros professores de música como Giuseppe Totti3 (17-?-1832/33), Luisa Piot4(?-?), Pe. José Maurício Nunes Garcia5(1767-1830), Januário da Silva Arvelos (1790-1844), o pai, e Sigismund von Neukomm (1778-1858). Seu empenho nos estudos musicais rendeu-lhe ótimos frutos. É comum afirmar que ele cantava bem, regia, e tocava vários instrumentos, como piano, flauta, clarinete, violino, baixo, trombone, harpa e violão. No entanto, é sua atuação como compositor aquela que mereceu maior aplauso.  

Exemplos de sua música religiosa podem ser vistos no Acervo Musical do Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro6:

1. Responsório para São Pedro de Alcântara (Mortuus est)7

2. Antífona de Nossa Senhora, em Dó maior (Sub tuum praesidium)8

3.  Credo do Imperador (Credo, Sanctus e Agnus Dei da Missa de Nossa Senhora do Carmo, em Dó maior)9

4. Hino de Ação de Graças, em Dó maior (Te Deum)10      

A presença destas partituras no acervo torna possível que tenham sido executadas em várias ocasiões da Capela Real e Imperial brasileira.      

O Rei-Imperador também se aventurou na música teatral. Em 1831, em sua passagem por Paris, quando buscava apoio político e militar para reaver o trono de Portugal das mãos de D. Miguel I (1801-1866), teve música de sua autoria executada no Teatro Italiano. As récitas, que contaram com o apoio direto de Giocchino Rossini (1792-1868), receberam críticas bastante favoráveis, na sua maioria.      

Como não podia deixar de ser, também compôs música para piano ou música de salão/câmara. Neste caso estão, por exemplo, uma Marcha fúnebre e um Souvenir Filial ou Divertimento, ambas composições para piano publicado por Pierre Laforge, no Rio de Janeiro, em 183711. Infelizmente não foi possível localizar estas partituras. É neste contexto do repertório de câmera, ou de arranjos para grupos de câmera, em que se situam as obras apresentadas na presente publicação. Apesar de alguns hinos terem sido compostos para contextos militares ou de festividades de grandes proporções, eles acabam se tornando repertório obrigatório nos salões, no formato piano e voz. Assim, serão editados aqui nesta instrumentação, com a exceção do Hino a D. João VI, de 1817. Como não há qualquer publicação integral desta peça, julgamos importante incluir aqui uma edição do original orquestral, a partir do qual elaboramos a versão para piano e voz.      

É importante ressaltar que D. Pedro conseguiu muito sucesso na produção de música patriótica. Interessante exemplo é a composição atualmente conhecida como Marcha de Ituzaingó, que teria sido escrita, em 1827, para ser usada pelas tropas brasileiras na guerra contra as Províncias Unidas do Rio Prata (atual Argentina). A marcha ainda hoje é executada nos atos oficiais em que participa o presidente da Argentina, anunciando sua chegada12. A tradição daquele país tem D. Pedro como o possível compositor, apesar desta autoria não ser tomada como algo certo.      

Não resta dúvida, contudo, que sejam os hinos patrióticos e políticos suas composições mais influentes e longevas. Estão publicados aqui todos os quatro hinos conhecidos deste compositor. A este conjunto poderíamos incluir o Hino Maçônico Brasileiro. No entanto, apesar de ser conhecida a relação de D. Pedro com a maçonaria, não há consenso acerca do autor da música e da letra do referido hino. A pouca circulação de documentos referentes a esta sociedade fechada e secreta torna difícil o acesso a qualquer informação, não tendo sido possível consultar qualquer partitura. Na verdade, o pesquisador maçônico Rodolfo Rup13 afirma que a fonte musical mais antiga localizada é uma publicação de 1936, demasiadamente tardia e sem qualquer indicação de autor.

1. Hino a D. João

Este é o primeiro hino de D. Pedro, composto em 1817, no Rio de Janeiro. No ano anterior, D. Maria I havia falecido, o que finalmente deixou espaço para o início do reinado de D. João, que até então desempenhava o papel de regente em nome da rainha, considerada irremediavelmente louca desde 1792. Portanto, é muito provável que este hino seja um presente do príncipe real a seu pai, em celebração ao início de seu reinado, pelo que o chamaremos de Hino a D. João. O hino também pode estar relacionado com a, assim conhecida, Revolução Pernambucana, de caráter emancipacionista e republicano, que eclodiu em março do mesmo ano. Ou seja, a composição, além de um canto patriótico de exortação ao Rei, pode ser uma resposta aos revoltosos pernambucanos, ou mesmo uma canção em comemoração pela derrocada da revolução. O único exemplar conhecido do hino está guardado na Biblioteca Nacional de Portugal e trata-se de uma partitura para orquestra e coro14, que nunca foi publicado integralmente, tampouco possui uma edição moderna15, portanto a versão para piano foi elaborada por este autor.      

O texto seguinte é apresentado no manuscrito:

O mesmo texto é usado por Marcos Portugal para compor seu famoso Hino Patriótico, considerado o primeiro hino nacional português. Este é um dos raros exemplos de poema de hino a ser usado por compositores diferentes. Este fato e a própria escassez de fontes fizeram com que o hino fosse raramente citado e o pouco que já foi dito está cheio de equívocos. Por exemplo, Ayres de Andrade16 chega a negar a existência do hino, considerando-o apenas uma versão da composição de Marcos Portugal, baseado apenas no uso do mesmo texto. Andrade parece ter tido acesso apenas à transcrição do texto oferecida por Ernesto Vieira17, pois não teria feito a afirmação se tivesse consultado o manuscrito musical. Afinal, as fontes musicais não deixam qualquer dúvida que sejam composições diversas. Vieira18 por sua vez, confunde este hino com o Hino Constitucional, de D. Pedro, cantado em Lisboa em 1821 para comemorar a constituição portuguesa, sobre o qual falaremos a seguir.      

2. Hino Constitucional ou da Carta

Como o próprio título indica, este hino se insere dentro do espírito da revolução liberal de 1820 que exigia uma constituição para Portugal. Também ficou conhecido como Hino da Carta por associação direta à Carta Constitucional portuguesa de 1826. Composto no Brasil, em 1821, ele está entre os hinos luso-brasileiros mais bem sucedidos, pois acabou por se instituir oficialmente como hino nacional português até a Proclamação da República em 1910.      

A fonte mais antiga que se conhece deste hino é um folheto avulso do poema, que informa ter sido ele feito “aos 31 de março de 1821”19. Apesar de não ter sido possível localizar o documento, ele é citado em Bibliografia da Impressão Régia do Rio de Janeiro20, e transcrito por Andrade21. O hino logo ganhou popularidade no Brasil, como mostra uma notícia da Gazeta do Rio de Janeiro que documenta a celebração feita no Real Teatro de São João para comemorar o aniversário de D. João VI, a 13 de maio de 1821, quando foi executado o “Hymno Constitucional, cuja letra e Musica he hum estimável presente, que S. A. R. ofereceu aos Portuguezes22. Interessante sublinhar que em uma notícia sobre um baile dado a 24 de agosto do mesmo ano23, o periódico atribui a D. Pedro a autoria também do poema. Com isto está de acordo César das Neves24, pois depois de transcrever em seu cancioneiro o mesmo texto citado por Andrade, diz que possui “um exemplar da folha volante em que esta poesia foi impressa com o seguinte título: Hymno Imperial Consitucional da composição de Senhor D. Pedro, em 1822”. Seja como for, não é para se estranhar que D. Pedro arriscasse como poeta de um hino. Afinal, como lembra seu biografo, Eugênio dos Santos25, ele pretendeu “fazer-se ouvir como poeta também”.      

Apesar de composto no Brasil, o hino chegou rapidamente a Portugal onde, segundo Benevides26, foi estreado a 24 de agosto de 1821. Maria José Valentim informa que o texto foi publicado pela primeira vez no Porto, nesse mesmo ano, sob o título de Hymno Patriótico27. Fato é que, com o sucesso, o texto do hino mereceu outras edições já em 1822, na mesma cidade28. Uma delas, intitulada Hino Imperial Constitucional, provavelmente se trata da tal “folha volante” citada por Neves, e configura-se a fonte primária mais antiga que foi possível consultar:      

É natural que estas primeiras edições tenham se dado no Porto, cidade onde teve início a revolução liberal portuguesa. Sem levar em conta estes documentos, Vieira deu origem ao equívoco de que o hino só seria estreado em Portugal em 1826, quando da outorga da Carta Constitucional Portuguesa. O autor defende a ideia de que o hino de D. Pedro cantado até então em Portugal seria aquele a D. João, de 1817. Esta teoria não tem qualquer fundamento. O texto do Hino a D. João VI nada tem de constitucional e em nada se assemelha àquele impresso tanto no Brasil quanto em Portugal, em 1821-22, e que é realmente usado no Hino Constitucional ou da Carta. Sendo assim, não resta dúvida que o Hino Constitucional já era conhecido em Portugal logo após sua estreia brasileira.      

As partituras mais antigas conhecidas são do final da década de 182029. A primeira versão impressa parece ser aquela que se apresenta em forma de cópia manuscrita guardada na Biblioteca Pública de Évora. O copista informa que o original seria editado pela viúva Waltmann. Esta senhora começou seu trabalho de edição em 182530, no entanto já estava falida em 182731, o que situaria a impressão entre estes anos. No entanto, como D. Pedro é já referido como “Rei de Portugal”, a edição tem que ser posterior ao falecimento de D. João VI, em março de 1826, e anterior à falência da editora, 1827. Vale a pena chamar atenção para uma versão manuscrita do hino, cuja parte instrumental seria um arranjo feito por Marcos Portugal32. Isto mostra que antes de 1830 a peça já possuía uma versão orquestral ainda não localizada, além de mostrar que Marcos Portugal seguia de perto a produção musical do aluno ilustre. Outras versões para banda podem ser encontradas nos arquivos portugueses, como era de se esperar no caso de um hino que alcançou estatuto de oficial33.      

Como era de se esperar o sucesso e a longevidade do hino resultaram numa série de contrafações. Não há razão nem espaço para citarmos todas aqui, mas podemos chamar atenção para algumas. Um tanto inesperada é aquela feita para “À próxima vinda de S. A. o Sereníssimo Senhor Infante D. Miguel para reger estes reinos”, cujo texto era para ser cantado com a música do Hino Constitucional. Não deixa de ser uma ironia do destino que D. Miguel, homenageado aqui através do hino constitucional mais bem sucedido, acabaria por retomar o Regime Absolutista logo após seu retorno a Portugal. Já em meados do século, Sasseti publica outra versão em sua série Hymnos Nacionaes Portugueses. Neste caso o texto está completamente associado ao próprio D. Pedro e sua herdeira, D. Maria II, grandes nomes do liberalismo. Outro exemplo interessante é a versão feita para homenagear D. Carlos I e D. Amélia. Trata-se de uma partitura para grande orquestra, incluindo bateria e voz solista, ou seja, numa orquestração em acordo com seu próprio tempo. Quanto a isto é bom chamar atenção que, em 1893, em sua própria edição do hino, César das Neves34 lembra que ele é “adoptado por S. M. o Senhor D. Carlos I” como hino pessoal.

O importante a ressaltar é que cada monarca acabava sendo homenageado com uma série de hinos, de autores variados, alguns com maior ou menor grau de sucesso e/ou oficialidade. Apesar disto, o Hino Constitucional conseguiria sobreviver à “concorrência”, adaptando-se à conjuntura. Por outro lado, independentemente das adaptações, ter sido desde o início uma obra associada à constituição e, consequentemente, à própria “nação” portuguesa tornou o hino mais permeável à sucessão dos reinados.

Adoptado como nacional, o hino acabou por ganhar uma série de edições musicais em vários tipos de apresentação e instrumentação, sendo mesmo usado como tema para obras independentes. Poderíamos chamar atenção, por exemplo, para versões para piano solo, ou banda, e até mesmo variações para instrumento, como é o caso daquela, em quatro números, composta por Theofilo de Russel37(?-?). Outro exemplo digno de nota são as variações compostas por João Domingos Bomtempo (1775-1842), último andamento de sua Sérénate, guardada na Biblioteca Nacional, em Lisboa38. O hino mereceu atenção mesmo fora do espaço lusófono, como mostra a versão feita para piano por Ferdinand Beyer (1803–1863) e que se encontra guardada na Biblioteca do Real Consevatorio Superior de Música de Madrid39. Na mesma biblioteca é possível consultar uma versão para grande orquestra feita40 por Tomás Bretón y Hernández (1850 - 1923). Para além da península ibérica, temos, por exemplo, a seguinte notícia:      

LONDRES. On lit dans le Court journal du 9 juillet: “Siroe, opéra de l’honorable miss Marianne Jervis. Une seconde répetition de cette intéressante et remarquable production a eu lieu, mardi dernier, dans les salons de Madame Cuthbert, Grovenor square. Elle a été honorée de la présence de don Pedro et d’un nombreux cercle d’amateurs distingués (...) La soirée s’est terminée par l’hymne constitutionelle de la composition de don Pedro, qui a produit un très grand effet41 (Revue Musicale, 06-10-1831).            

Notáveis também são as variações para piano feitas por Charles Bénet (18-?-1923) e publicadas em Paris42:

                                             Fig. 7, trecho do Variations pour piano sur l'Hymne National Portugais de Chales Bénet43      

Neste trecho podemos ver que o compositor coloca em diálogo dois grandes símbolos do liberalismo: a Marseillaise e o Hino Constitucional de D. Pedro.      

3. Hino da Independência do Brasil (ou Imperial e Constitucional)

Este hino faz uso do mesmo texto empregado por Marcos Portugal para compor seu Hino da Independência. A versão manuscrita mais antiga é aquela guardada no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), no Rio de Janeiro, doada a esta instituição, em 1861, por Francisco Manuel da Silva, que garantiu ser a partitura um autógrafo, fato que permanece sem confirmação44. Como nos lembra Lino de Almeida Cardoso45, naquele que deve ser o texto mais recente sobre este hino, nas fontes impressas mais antiga, a composição é referenciada como Hymno Imperial e Constitucional46, edição esta que se situa entre as primeiras da impressa brasileira. Por outro lado, esse título mostra que a peça musical em si mesma foi fortemente relacionada com os movimentos liberais constitucionais, a exemplo do poema que foi originalmente publicado com o título de Hino Constitucional Brasiliense47. O texto é do jornalista, político e poeta brasileiro Evaristo Ferreira da Veiga48 (1799-1837), escrito no Rio de Janeiro, a 16 de agosto de 1822:          

As partituras costumam trazer apenas as quatro primeiras estrofes (além do refrão), mas nada impede que a música seja aplicada às outras. A tradição consagrou a ideia de que a música teria sido composta no 7 de setembro de 1822. No entanto, muitos autores têm posto em xeque esta ideia. Tem sido também bastante polemizada a precedência histórica deste hino em relação ao homônimo composto por Marcos Portugal. Andrade49, por exemplo, não confirma qual teria sido o primeiro a ser composto, mas comprova que o de Marcos Portugal teria sido o primeiro a ser cantado no Rio de Janeiro, e que nas primeiras décadas o hino do maestro teria ficado associado aos festejos de independência, enquanto o hino do imperador teria sido usado como o “Hino Nacional” nos outros eventos pelo menos até 1831, quando começou a sofrer a concorrência do atual hino nacional brasileiro50. Por sua vez, Cardoso51 quer crer na precedência histórica do hino de Marcos Portugal. Não vamos entrar neste debate, pois não seria possível acrescentar agora nada de concreto. Seja como for, para o presente texto, uma breve precedência histórica de um ou de outro hino é menos relevante.      

A composição de D. Pedro é ainda hoje o Hino da Independência oficial do Brasil. Já a beira do seu bicentenário, o hino teve que sofrer alguns ajustes e adaptações na música e texto. A versão oficial pode ser consultada em site do Governo Brasileiro . Vê-se que, no que diz respeito ao texto, permanecem em uso somente o refrão e as estrofes 1, 2, 7 e 9, sem grandes modificações, salvo o primeiro verso do poema, que é ligeiramente alterado para “Já podeis da pátria filhos”, provavelmente num esforço de melhorar a relação prosódica entre texto e música, ou numa tentativa de evitar eventuais trocadilhos de baixo calão que o original poderia sugerir. Como era de se esperar, as estrofes omitidas são as mais conjunturais e se referem, por exemplo, à elaboração de uma constituição brasileira, ou ao fato de D. Pedro ter decidido ficar no Brasil, a despeito de ordem contrária vinda de Portugal. A escolha de algumas estrofes em detrimento de outras realmente desloca o texto da realidade histórica em que foi escrito e o coloca num plano de atemporalidade tão caro aos símbolos nacionais. Por sua vez, a música sofreu vários ajustes, o que já é notado por Cardoso52. Basta comparar o hino aqui editado a partir da edição de Walsh (1830) com qualquer gravação, ou partitura mais modernas para serem vistas as modificações tanto na parte instrumental quando vocal. Este fenômeno de ajuste, simplificação e/ou modernização pode ser identificado em outras edições que têm em vista um público alargado e leigo. Contudo, nesta presente publicação, buscamos nos manter o mais próximo possível das versões originais dos hinos. Assim, levaremos em conta a edição de Walsh53, primeira para piano e voz que foi possível consultar, sendo muito próxima da versão orquestral manuscrita, doada por Francisco Manuel da Silva.      

4. Hino Novo Constitucional (da Amélia, ou de D. Pedro IV)

Inicialmente conhecido por Hino Novo Constitucional ou Hino da Amélia por ter sido composto a bordo da corveta de mesmo nome54. Segundo Neves, no final do século XIX era chamado Hino de D. Pedro IV e “tocam-o as bandas marciaes em todas as soleminidades festivas ou funebres, que tenham relação com aquelle monarcha”. Vieira55 afirma que teria sido “executado pela primeira vez na ilha de S. Miguel, a 23 de Junho de 1832, quando a expedição se reuniu no Campo de Relvão para embarcar [com destino ao continente]”. Ou seja, o hino foi composto quando D. Pedro – que já havia renunciado ao trono brasileiro em favor de seu filho Pedro, e ao português em favor de sua primogênita – preparava-se para tomar a cidade do Porto, momento importante das Guerras Liberais. Este conflito civil retiraria do trono D. Miguel I e restituiria o direito de D. Maria à coroa. A relação com a guerra conferiu ao hino popularidade quase imediata em Portugal, além de associá-lo estreitamente com D. Maria II56. Assim, acabou por merecer algumas edições, tanto para voz e piano quanto apenas para instrumentos57. Entre as mais antigas estão a publicada em Lisboa, por Ziegler, e a publicada em Paris, por Pacini58. Da edição de Ziegler, só foi possível localizar a versão para piano solo59. Contudo, uma provável cópia manuscrita da versão para voz e piano60 está disponível no espólio de Filipe de Sousa da Fundação Jorge Álvares, Alcainça61.      

O texto teria sido impresso e distribuído entre os revoltosos logo após ser escrito, algo possível, pois, segundo Valentim62, “sabe-se que D. Pedro trazia na sua bagagem ao desembarcar [no porto] um prelo litográfico”. Esta autora transcreve a edição mais antiga do poema que foi lhe possível consultar, que teria sido publicada por Gandra, em 183363:      

Por sua vez, Neves64, sem apresentar justificativa, transcreve aquelas que seriam as quatro estrofes originais do hino, atribuindo sua autoria a D. Pedro, e em nota cita algumas outras quadras que teriam sido escritas posteriormente. Na verdade, as estrofes supostamente originais citadas por Neves são as 1ª, 8ª, 9ª e 10ª, e as espúrias são a 2ª a 7ª, presentes na edição de Gandra transcrita acima. Neves também afirma que as tais estrofes originais seriam de autoria do próprio D. Pedro. Vitorino Nemésio65, por sua vez, informa que Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque seria o autor dos versos. Não foi possível, contudo, consultarmos uma fonte primária que confirmasse a autoria do poema. Por outro lado, as estrofes originais de Neves são as mesmas transcritas naquela cópia manuscrita guardada no espólio de Filipe de Sousa. Assim, é provável que o poema original tenha sido mesmo escrito como foi publicado por Gandra, mas somente quatro de suas estrofes foram usadas na edição de Ziegler – como foi visto, fenômeno parecido ocorreu com o texto do Hino da Independência. Por sua vez, a versão de Sassetti, incluída na série Hymnos Nacionaes Portuguezes, faz sua própria contribuição ao texto, ajuntando mais uma estrofe às quatro geralmente usadas nas edições musicais66. Resta dizer que a inserção do hino na referida série de Sassetti faz dele o terceiro e último hino de D. Pedro a ganhar privilégio de “nacional”.

5. Marcha Imperial

Esta composição faz uso de piano a quatro mãos e clarinete. Não há qualquer informação sobre esta composição além do próprio manuscrito guardado na Biblioteca Nacional de Portugal e que se afigura, portanto, como a única fonte conhecida67. Tendo em contas as próprias características do gênero, é bem provável que a marcha tenha sido escrita originalmente para banda, sendo esta versão um arranjo posterior. A escrita da peça é bastante simples e é possível supor que, no presente formato, tenha sido usada num contexto doméstico e familiar. Afinal, o imperador tocava clarinete e poderia ter elaborado esta partitura para ser, ele próprio, acompanhado ao piano pelas filhas e/ou esposa. Estas são suposições que se apoiam no que se conhece do cotidiano musical da família imperial.      

O documento foi ofertado à Biblioteca Nacional de Lisboa, mas não foi possível descobrir que foi seu proprietário anterior. É possível que a partitura tenha pertencido à D. Amélia, segunda esposa de D. Pedro, falecida em Lisboa, 1873. Afinal, é sabido que a imperatriz doou algumas partituras à família Palmela68 e poderia, da mesma forma, ter feito oferta do manuscrito em questão.

Referências

[1] Uma biografia musical extensa pode ser consultada em: Pacheco, Alberto José Vieira. “D. Pedro I do Brasil, IV de Portugal”. In.: Dicionário Biográfico Caravelas. Lisboa: Caravelas, 2012. Disponível em: Dicionário Biográfico Caravelas

[2] Marques, António Jorge. “Portugal [Portogallo], Marcos [Marco] António (Da Fonseca)”. In.: Dicionário Biográfico Caravelas. Lisboa: Caravelas, 2012.

[3] Pacheco, Alberto José Vieira; Fernandes, Cristina. “Totti, Giuseppe di Foiano”. In.: Dicionário Biográfico Caravelas. Lisboa: Caravelas, 2010

[4] Fernandes, Cristina. “Piot, Luísa”. In.: Dicionário Biográfico Caravelas. Lisboa: Caravelas, 2010

[5] Figueiredo, Carlos Alberto. “Garcia, José Maurício Nunes”. In.: Dicionário Biográfico Caravelas. Lisboa: Caravelas, 2012

[6]  Acervo do Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro 

[7] Disponível em Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro - SM53 

[8] Disponível em Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro - SM53 

[9] Disponível em Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro - SM54

[10] Disponível em Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro - SM55

[11] Composições publicitadas no Jornal do Comércio, 2/5/1837 (segundo Cardoso, Lino de Almeida. O Som social: música, poder e sociedade no Brasil (Rio de Janeiro, séculos XVIII e XIX). São Paulo: Edição do autor, 2011).

[12] A música pode ser ouvida em: Youtube - Marcha 

[13] Rup, Rodolfo. “O Hino Maçônico Brasileiro”. Texto disponível em: Hino Maçônico Brasileiro 

[14] Himno composto por S. A. R. O Principe Real do Reino Unido de Portugal, Brazil e Algarves, e Duque de Bragança. Feito no Rio de Janeiro aos 20 de Maio de 1817. (P-Ln, cota MM 341/16).

[15] Uma transcrição, somente da linha melódica, pode ser vista em: Soares, Alberto Ribeiro; Sousa, Pedro Marquês de; Costa, Manuel J. Ferreira da. Hinos patrióticos e militares portugueses. Lisboa: Estado-Maior do Exército / Maisimagem, 2010.

[16] Andrade, Ayres de. Francisco Manuel da Silva e seu tempo. 2 vol. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1967. Vol 1, p. 140.

[17] Vieira, Ernesto. Diccionário Biographico de musicos portuguezes: história e bilbiographia da musica em Portugual, 2.vol. Lisboa: Typographia Mattos Moreira & Pinheiro, 1900.

[18] Op. Cit., vol 2, p. 153.

[19] Hino Constitucional feito aos 31 de Março de 1821, e oferecido á Nação Portuguesa pelo Príncipe Real, seu author. Rio de Janeiro: Impresão Régia, 1821.

[20] Camargo, Ana Maria de Almeida; Moraes, Rubens Borba de. Bibliografia da Impressão Régia do Rio de Janeiro. São Paulo: Edusp, Libraria Kosmos Editora, 1993.

[21] Op. Cit., Vol. 1, p. 141

[22] “Á noite SUAS ALTEZAS REAES o PRINCIPE REGENTE e a PRINCEZA REAL Houverão por bem Honrar com Suas Augustas Presenças o Real Theatro de S. João, que estava ornado e illuminado com riqueza e elegancia; [...] Representou-se logo hum Elogio Dramatico, allusivo á Saudade que SUA MAGESTADE Deixara em todos os Corações, e ao justíssimo motivo de consolação pela Real Presença de Seu Augusto Herdeiro, no qual apparecerão os Retratos de SS. MM. e de SS. AA. RR. o PRINCIPE REGENTE e a PRINCEZA REAL, a que forão rendidos os mesmos reverentes aplausos; e cantanto os musicos o Hymno Constitucional, cuja letra e Musica he hum estimável presente, que S. A. R. offereceu aos Portuguezes” (Gazeta do Rio de Janeiro, 16/5/1821, disponível em: Gazeta do Rio de Janeiro - 16/05/1821). Notícia localizada por Andrade (Op. Cit., Vol. 1, p. 143) e transcrita aqui a partir do original

[23] “[...] então cantou o hino constitucional, cuja letra e solfa eram de composição de S. A. R.”. Notícia localizada por Andrade (Op. Cit., Vol. 1, p. 143).

[24] Neves, Cesar A. das. Cancioneiro de musicas populares: collecção recolhida e escrupulosamente trasladada para canto e piano por Cesar A. das Neves. 3 vols. Porto: Typ. Occidental, 1893-1899. Vol. 1, p. 43 [Disponível em: Cancioneiro de músicas populares]

[25] Santos, Eugénio dos. 2008. D. Pedro IV: liberdades, paixões, honra. Rio de Mouro: Temas e Debates & Printer Portuguesa.

[26] Benevides, Francisco da Fonseca. O real Theatro de S. Carlos de Lisboa, desde sua fundação em 1793 até a actualidade. Lisboa: Typografia Castro Irmão, 1883. p. 124 [Disponível em: O real theatro de São Carlos

[27] Hymno Patriótico. Porto: Off. de Viúva Alvarez Ribeiro & Filhos, 1821. Informação em: Valentim, Maria José Quaresma de Carvalho Alves Borges. A Produção musical de índole política no período liberal (1820-1851). Diss. Mestrado. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2008. Contudo, a autora não indica a localização da fonte do hino em questão.

[28] O Hino Imperial Constitucional do Senhor D. Pedro que está no verso do Hymno dedicado Á senhora Infanta D. Izabel Maria, pela musica do Hymno Imperial do Senhor D. Pedro (P-Ln, cota L. 10792//15 P.) e o Hymno Patriotico cuja letra e a musica he da composição do serenissimo Principe Real o Senhor Pedro de Alcantara (P-Ln, cota L. 10792//16 P.).

[29] Sem querer fazer uma lista exaustiva podemos reunir alguns exemplos de fontes: i. Hymno de S. M. I e Constitucional O Serenissimo Sr. D. Pedro de Alcantara. Cantado no Anno de 1826 no R. Theatro de S. Carlos. (Música manuscrita, P-Ln, cota MM 341/6) [disponível em Hino Constitucional]. ii. Hymno Portuguez. P-Ln MM 340//2 iii. Hymno Constitucional composto Por S. M. I. o Snr. D. Pedro de Alcantara Rei de Portugal Lisboa No armazen de música de viúva Waltmann e Filhos rua direita de S. Paulo Nº 18 (cópia manuscrita, P-EVp, cota Cód. CLI /2-9 nº 7). Não foi possível localizar o original impresso. iv. Hymno da Carta in Neves, 1893-99. v. Hymno da Carta Constitucional. Lisboa: Sassetti & Cª, s.d. (P-Ln, cota M.P. 449//42 A.)

[30] Como pode ser visto em: Albuquerque, Maria João Durães. A edição musical em Portugal (1750-1834). Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2006. p.131. Ou no documento da Universidade de Évora: http://dspace.uevora.pt/rdpc/bitstream/10174/2812/7/EMERG%C3%8ANCIA%20MERCADO_Cap.6.pdf

[31] Como mostra o documento da Torre do Tombo

[32] Hymno Constitucional Offerecido a Nacão Portugueza Pello Principe Real Arranjado  Para Piano Forte Por Marcos Antonio Portugal. (Música manuscrita, P-Ln, cota M.M. 340//8.) [disponível em Hino Constitucional].

[33] Por exemplo, a Biblioteca do Palácio da Ajuda, em Lisboa, guarda um manuscrito do hino para banda: Hino da Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa – entrada 4590 em: Santos, Mariana Amélia Machado (org.). Catálogo de música manuscrita [da biblioteca do palácio da Ajuda]. Lisboa: Biblioteca da Ajuda, Ministério da Educação Nacional, 1958-68, 9 vol.

[34] Op. Cit. vol.1, p. 42. Aqui é possível consultar também outras versões do texto do hino

[35] “Por um Vate Aveirense, no Periodico dos Pobres” (P-Ln, cota L. 10792//22 P.)

[36] Hymno Portuguez (Música manuscrita, P-Ln, cota M.M. 340//2). (A homenagem a D. Carlos I acaba por situar o exemplar entre 1889, ano da aclamação, e 1908, ano do regicídio).

[37] A Sua Magestade El-Rei D. Carlos I. Hymno da Carta transcripto e variado para piano por Theofilo de Russel. S.l.: Editora Adm. J. Guedes, [ca 189-?] (P-Ln, cota c.n. 1129 a.)

[38] Há duas versões disponíveis, em forma de quinteto e de septeto (P-Ln, cotas: C. I. C. 48; C. N. 702), respectivamente nº B75 e B75a no catálogo de Bomtempo (in: D’Alvarenga, João Pedro. João Domingos Bomtempo, 1775-1842. Lisboa: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1993. Disponível em: Catálogo de Bomtempo). Neste mesmo catálogo o autor afirma ter sido a obra composta em “Lisboa, 1821 ou posterior”.

[39] Hymne constitutionnel du Portugal Transcription de Ferd. Beyer. S.L.: s.n. (música impressa, Biblioteca do Real Consevatorio Superior de Música de Madrid).

[40] Himno Portugues de la Carta. Bretón (música manuscrita, Biblioteca do Real Consevatorio Superior de Música de Madrid).

[41] LONDRES. Lé-se no Court journal de 9 de julho: “Siroe, ópera da estimada Senhorita Marianne Jervis. Uma segunda repetição desta interessante e notável produção teve lugar, terça-feira passada, nos salões de Madame Cuthbert, praça Grovenor. Ela foi honrada com a presença de Dom Pedro e de um numeroso círculo de amadores distintos (...) A noitada terminou com o hino constitucional da composição de Dom Pedro, que produziu uma ótima impressão (Transcrição e tradução dada em: Cardoso, Lino de Almeida. O Som social: música, poder e sociedade no Brasil (Rio de Janeiro, séculos XVIII e XIX). São Paulo: Edição do autor, 2011. p. 282)

[42] A sa Magesté très fidèle Don Carlos 1er Roi de Portugal. Variations pour piano sur l'Hymne National Portugais (Théme du Roi Don Pédro 1er) par Charles Bénet. Paris: Louis le Signe, s.d. (F-Pn)

[43] Os bequadros em entre parêntesis são sugestão nossa.

[44] Hino à independência do Brasil posto em Música para canto e grande orquestra. (IHGB, cota DL987.008; cópia fotográfica em: lata 987, pasta 8).

[45] Cardoso, Lino de Almeida. “Subsídios para a gênese da imprensa musical brasileira e para a história do Hino da Independênciai, de Dom Pedro 1”. Per Musi, Belo Horizonte, n. 25, 2012.

[46] Hymno Imperial e Constitucional composto por S. M. I. o Senhor Dom Pedro 1º (in Walsh, Robert. Notices of Brazil in 1828 and 1829 by the Rev. R. Walsh. 2 Vols. London: Frederick Westley and A.H. Davis, 1830. Vol. 2, p. 533. [Disponível em: Hino Imperial e Constitucional]). Hino Imperial e constitucional. Rio de Janeiro: Ferguson e Crockatt, 1824. (Informação dada por notícia do Diário Mercantil. Nenhum exemplar pode ser localizado).

[47] O manuscrito encontra-se na Seção de Manuscritos de BR-Rn. A versão impressa mais antiga que foi possível consultar é: Hymno Constitucional Brasiliense. Rio de Janeiro: Typographia do Diario, 1822. (BR-Rn, cota DIORA 248, 4, 7 n. 15).

[48] Este poeta é autor do texto de outros hinos como: Hymno do batalhão do imperador, Hymno Marcial, Hymno braziliense (in: 1. Moraes Filho, Mello. Serenatas e Saraus: collecção de autos populares, lundús, recitativos, modinhas, duetos, serenatas, barcarolas e outras produções especialmente brasileiras antigas e modernas. Com uma nota explicativa dos assumptos de cada volume por Mello Moraes Filho. vol. III Hymnos / modinhas diversas. H. Garnier: Rio de Janeiro; Paris, 1902 (P-Ln, cota L. 10234 P.). 2. Silva, Joaquim Norberto de Sousa e. A Cantora brazileira. Nova collecção de hymnos, canções e lundús tanto amorosas como sentimentais precedidas de algumas reflexões sobre a musica do Brasil. Rio de Janeiro, Pariz: H. Garnier, s.d.). Independência ou morrer. Rio de Janeiro: Typographia do Diario, 1822. (BR-Rn, cota DIORA 248, 4, 7, n 11).

[49] Op. Cit., Vol. 1, p. 158.

[50] Novas informações reunidas por Cardoso (2012, p. 43) mostram que o hino de D. Pedro atravessou “o Século XIX coexistindo com outras melodias nacionais”. Importante ressaltar que em 1862 o hino de D. Pedro ganharia grande relevo nas celebrações da inauguração da estátua equestre do imperador no Rio de Janeiro como mostra a edição Hymno da Independencia do Brazil composto por S. M. I o Sr. D. Pedro I Reduzido da Partitura Original para piano por Francisco Manuel da Silva. Rio de Janeiro: Imperial Imprensa de Música de Filippone e Tornaghi, [1862]? (BR-Rn, cota Império - F-III-41). Esta publicação é o volume nº 16 de uma série feita em comemoração à inaguração da estátua equestre de D. Pedro

[51] Op. Cit., 2012.

[52] Op. Cit., 2012, p. 43

[53] Op. Cit.

[54] “Hymno da Amelia; foi assim que o author, D. Pedro IV, o denominou por o ter composto a bordo da corveta Amelia na sua viagem para Portugal, para animar e enthusiasmar os 7.500 expedicionarios que o acompanhavam” (Neves, Op. Cit., Vol. 1, p. 252).

[55] Op. Cit., Vol. 2, p. 154

[56] Como mostra, por exemplo, o exemplar: D. Maria II Rainha de Portugal. Himno novo Constitucional composto por Sua Magestade Imperial o Duque de Bragança dedicado a Nação Portugueza para piano forte. Lisboa: Valentim Ziegler, 18--. (P-Ln, cota C.I.C. 88 V.)

[57] Por exemplo, Hymno da Amelia in Neves (1893-99, p. 249).

[58] Hymno Constitucional da Nação Portuguesa, composto por S. M. I. o Senhor Dom Pedro, Duque de Bragança. Paris: Armazém de Música de Pacini (Valentim, 2008, p. 21 afirma que este partitura é do Hino da Carta, mas a partitura releva o Hino da Amélia). (P-Ln, cota C.N. 1502//25 A.)

[59] D. Maria II Rainha de Portugal. Himno novo Constitucional composto por Sua Magestade Imperial o Duque de Bragança dedicado a Nação Portugueza para piano forte. Lisboa: Valentim Ziegler, 183- (P-Ln, cota C.I.C. 88 V.)

[60] Se comparamos a cópia com o trecho da versão de Ziegler reproduzido por Valentim (2008, p. lxxix), fica claro que o manuscrito reproduz a versão impressa. Da mesma forma, Valentim transcreve o texto usado por Ziegler, que é o mesmo usado no manuscrito.

[61] Novo Hymno Constitucional dedicado à Nação Portugueza, cópia manuscrita guardada no Espólio Filipe de Sousa da Fundação Jorge Álvares, Alcainça, que indica como autor “S. M. I. o D. De B.” O manusrito foi localizado por Rui Magno Pinto. Interessante chamar atenção para a nota contida nesta cópia: “Feito a bordo da Fragata D. M. 2ª”. A informação, apesar de divergir a respeito do nome da embarcação, reitera a origem náutica do hino.

[62] Op. Cit., p. 66

[63] Hymno composto a bordo da Corveta Amelia. Porto: Imprensa Gandra & Filhos, 1833. Infelizmente não foi possível localizar esta fonte, cujo paredeiro não é informado por Valentim. Assim, usaremos em nossa edição o texto presente no manuscrito musical.

[64] Op. Cit., Vol. 1, p. 252.

[65] Nemésio, Vitorino. “A Mocidade de Herculano”. Vitorino Nemésio: estudo e antologia. Maria Margarida Maia Gouveia (org.). Lisboa: Ministério da Edução e Cultura, 1986. p. 338. [Disponível em: Biblioteca Digital Camões]

[66] No regaço da patria adorada Nosso voto cumprido vai ser, Sôe embora de novo a metralha Novos louros iremos colhêr (in Hymno de Dom Pedro. Lisboa: Sassetti & C.ª, 18--) (P-Ln, cota M.P. 449 // 47).

[67] Marcha Imperial Composta por S. Mag.de Imp. o Senhor D. Pedro I para Piano a 4 mãos, e Clarinette. Música Manuscrita (P-Ln, cota M.M. 4792//1-3).]

[68] Mais informação em Pacheco, 2012, Op. Cit.