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Baroque in Rio 2021 - música e patrimônio

10/05/2021

A série de 3 documentários (50 minutos cada) apresenta um contraponto entre o barroco europeu e o brasileiro, através da exibição de obras musicais de grandes compositores ambientadas em edificações de excepcional beleza.

O barroco brasileiro floresceu graças à descoberta do ouro no início do século 18, o que está na origem do extraordinário desenvolvimento das artes, principalmente da arquitetura, das artes plásticas e da música. Em Minas Gerais e no Rio de Janeiro são construídas incontáveis igrejas, adornadas com preciosa talha, revestidas de ouro, decoradas com obras dos melhores pintores e escultores, palcos perfeitos para as primeiras obras musicais genuinamente brasileiras.

Em cada episódio, a conexão entre os repertórios e o local onde foram gravados é contextualizado por entrevistas com especialistas.

Episódio 1: Órgãos viajantes

Contraponto entre os órgãos barrocos das igrejas Matriz de Santo Antônio (Tiradentes, MG) e Igreja de Saint-Éloi (Fresnes, França). Ambos de fatura espanhola, os dois órgãos são praticamente contemporâneos e tem muitas características em comum.

As obras musicais são intercaladas pela entrevista com Angelo Oswaldo de Araújo Santos, o maior especialista em barroco mineiro, em que fala sobre o ciclo do ouro e sobre o consequente florescer nas artes que propiciou.

Robson Bessa, ao órgão da Matriz de Santo Antônio (Tiradentes, MG)

Encomendado a Simão Fernandes Coutinho em 1785, organeiro da cidade do Porto em  Portugal, o órgão de Tiradentes chegou à cidade em 1787 para substituir um instrumento anterior. Com 630 tubos esse instrumento faz parte da tradição organária ibérica, e assim como o órgão de Saint-Éloi, em Fresnes, tem o teclado dividido a partir do Do# central, possibilitando  registrações diferentes para ambas as mãos.  Entretanto, o órgão de Tiradentes não tem trombetas nem pedais, o que não o impede de ter uma sonoridade plena, rica, cheia de contrastes, refletindo o brilho e a variedade da escola ibérica, se adequando perfeitamente ao espaço arquitetônico da Matriz.

Instrumento muito flexível onde podemos abordar um repertório variado que vai desde Manuel Dias de Oliveira, provavelmente seu primeiro organista, Fernand Jouteux, compositor francês que residiu em Tiradentes ou ainda J.S.Bach, Handel, A. Scarlatti dentre vários outros.

Programa: obras de Pablo Bruna (1611-1679), Manuel Rodrigues Coelho 1555 – 1635), Alessandro Scarlatti (1660-1725) e Carlos Seixas (1704-1742).

Jean-Luc Ho, ao órgão da Igreja de Saint-Éloi (Fresnes, França)

Trata-se de instrumento espanhol histórico, construído em 1768 pelos irmãos de Fuentes para o convento Buenafuente del Sistal, Castilla-La Mancha, que migrou da Espanha para a França. O órgão foi desmontado e retirado, quando se decidiu retornar o convento espanhol às suas características medievais de origem. Após ter sido restaurado, pela oficina de organaria dos irmãos Desmottes, foi instalado na França em 2014.

Programa: obras de Antonio de Cabezón (1510-1566) e Johann-Sebastian Bach (1685-1750).

 

Episódio 2: Encontros musicais no Hotel de Noailles

Construído entre 1678 et 1682 por Jules Hardouin-Mansart, o primeiro arquiteto de Luís XIV, o Hotel de Noailles foi sede de intensa atividade musical, consequência do gosto por essa arte da família. Em 1778, o hotel hospedou, ao mesmo tempo Wolfgang Amadeus Mozart e Johann Christian Bach. O repertório desse episódio reflete esse famoso encontro, além de incluir obras de grandes compositores franceses.

As conexões do local com a música são apresentadas por, Françoise Brissard, atual proprietária do Hotel de Noailles.

MúsicosJulien Chauvin, violino ; Atsushi Sakai, viola da gamba;

Aurélien Delage, cravo e piano-forte ; Olivier Baumont, cravo

Programa: obras de Jean Henry d’Anglebert (1635-1691), Marin Marais (1656-1728), François Couperin (1668-1733), Johann Christian Bach (1735-1782), Karl Friedrich Abel (1723-1787), Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791).

Episódio 3: A música da Independência

O episódio foi gravado na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência (1773), um dos mais impactantes exemplos de arquitetura barroca do Rio de Janeiro, com seu interior todo revestido em talha dourada.

Neste programa, que celebra os 200 anos da Independência, são revividas obras dos principais compositores daquele período, em que se inaugura os repertórios de câmara no Brasil, escritos por Sigismund Neukomm (1778 – 1858), o único músico da Missão Artística Francesa, professor de D. Pedro.

O complexo da igreja abriga o mausoléu onde estão enterrados dois filhos de D. Pedro e D. Leopoldina, além do arquiteto Grandjean de Montigny, também integrante da Missão Artística Francesa. Sobre esses assuntos fala Sérgio Magalhães, responsável pelo Congresso Mundial de Arquitetura, UIA2021Rio.

Programa: obras de José Maurício Nunes Garcia (1767 – 1830), Marcos Portugal (1762 – 1830), Sigismund Neukomm (1778 – 1858), D. Pedro I (1798 – 1834).

Músicos: Rosana Lanzelotte (pianoforte), Tomaz Soares (violino), Marcus Ribeiro (cello)

Narração: Adam Lee, como D. Pedro I