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Acervo Digital de Partituras Brasileiras

12/09/2022

O projeto Acervo Digital de Partituras Brasileiras, com duração até 2024, tem como objetivo dar acesso livre e aberto a edições de 5.000 partituras de compositores brasileiros em domínio público através da web. 

Entre as obras candidatas estão as de autoria dos seguintes compositores, entre outros:

Luís Álvares Pinto (1719 – 1789)

J.J. Emerico Lobo de Mesquita (1746 - 1805)

José Maurício Nunes Garcia (1767 - 1830)

Francisco Manuel da Silva (1795 - 1865)

D. Pedro I (1798 – 1834)

José da Gama Malcher (1814 – 1882)

Henrique Alves de Mesquita (1830 – 1906)

Antonio Carlos Gomes (1836 – 1896)

Chiquinha Gonzaga (1847 – 1935)

Leopoldo Miguez (1850 - 1902)

Henrique Oswald (1852 – 1931)

Euclides Fonseca (1854 – 1829)

Ernesto Nazareth (1863 – 1934)

Alberto Nepomuceno (1864 – 1920)

Alexandre Levy (1864 – 1892)

Deolindo Froes (1864 – 1948)

Francisco Braga (1868-1945)

Meneleu Campos (1872 – 1927)

Patápio Silva (1880 - 1907)

Glauco Velasquez (1883-1914)

Luciano Gallet (1893-1931)

Lorenzo Fernandez (1897 – 1948)

 

Esta relação preliminar foi estabelecida a partir de consulta pública à comunidade musical brasileira – orquestras, universidades e escolas de música -, para a indicação de repertórios elegíveis. O corpus de obras a serem consideradas estará sob a permanente supervisão do Conselho Curatorial constituído por:

  • Profª Drª Flavia Toni (Academia Brasileira de Música, USP – Universidade de São Paulo)
  • Prof. Dr. Jonas Arraes (UFPA – Universidade Federal do Pará)
  • Profª Drª Lenita Waldige Mendes Nogueira (UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas)
  • Dr. Manoel Correa do Lago (Academia Brasileira de Música

Consulta pública

Com o objetivo de ouvir o público-alvo do projeto - músicos, orquestras, estudantes de música, escolas de música e instituições de ensino / universidades -, foi realizada consulta pública através de formulário online no período de 07/03 a 06/04/2022. Neste formulário, foram coletadas sugestões de repertórios a serem apreciados pelo projeto. O formulário foi enviado para mailing selecionado com foco no público-alvo do projeto. Os e-mails foram fornecidos pelo portal Musica Brasilis e Instituto Cultural Vale. No total, foram disparados 2.049 emails e 25 respostas foram recebidas.

A coordenação de pesquisa e a curadoria analisaram as respostas e selecionaram diversos compositores para serem incluídos no projeto, entre nomes como: 

  • Luísa Leonardo (1859-1926),
  • Cinira Polonio (1857-1938),
  • Maria Guilhermina de Noronha e Castro (1834-),
  • Ernestina Índio do Brasil,
  • Carlos Diniz,
  • Brasílio Itiberê (1846-1913)

Parcerias

Para levantar as fontes a partir das quais serão elaboradas as edições, o Instituto Musica Brasilis está firmando parcerias com instituições detentoras de acervos. Até o presente, foram contactadas as seguintes instituições:

  • Biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro) - Acervo Mozart de Araújo;
  • Biblioteca do Instituto Ricardo Brennand (Recife) – Acervo Padre Jaime Diniz (parceria em fase de avaliação);
  • Biblioteca do Museu da Universidade do Pará - Acervo Vicente Salles (parceria firmada);
  • Centro Cultural São Paulo
  • Fundação Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro);
  • Faculdade de Artes do Paraná - Universidade do Estado do Paraná (parceria em fase de avaliação);
  • Instituto de Estudos Brasileiros – USP – Acervo Mário de Andrade;
  • Museu Carlos Gomes (Campinas);
  • Fundação Gulbenkian (Lisboa, Portugal);
  • Núcleo Caravelas - CESEM / Universidade Nova de Lisboa

A preservação digital perene das partituras digitais será assegurada através do convênio com a Rede Cariniana - Rede Brasileira de Serviços de Preservação Digital – iniciativa do IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – órgão pertencente ao MCTI (https://www.gov.br/ibict/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2021/dezembro2021/rede-cariniana-e-instituto-musica-brasilis-firmam-parceria).

O projeto colabora com a iniciativa Brasil em Concerto, do Ministério das Relações Exteriores (https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/projeto-brasil-em-concerto), e editou os repertórios de D. Pedro I e Carlos Gomes gravados em 2022 pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

Através da parceria com a iniciativa Wiki Movimento Brasil, serão ampliados o alcance e o reuso das partituras digitais geradas pelo projeto, cujas imagens serão transferidas para o Wikimedia Commons e metadados para o Wikidata (https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:GLAM/Musica_Brasilis).

Desde 2017, o Instituto Musica Brasilis conta com a cooperação da UNESCO para as suas ações.

Metodologia

Os representantes digitais de partituras serão gerados através de duas vias:

- edição de partituras manuscritas, utilizando software específico (ex: Finale, Sibelius)

- digitalização de antigas edições, quando livres de direitos.

Em ambos os casos, as partituras serão disponibilizadas em formato .pdf com resolução de 300 dpi.

Além do portal Musica Brasilis, as imagens de partituras serão também publicadas no Wikimedia Commons, o que contribuirá para ampliar a visibilidade e o reuso. Os metadados serão publicados no Wikidata, que concentra os metadados das principais bibliotecas do mundo (Wikidata como concentrador de metadados, 2022).

A cada partitura digital será atribuído um identificador único - o ISMN (International Standard Music Number for Notated Music) – equivalente ao ISBN para publicações textuais.

As metodologias adotadas para a implementação estarão alinhadas com as melhores práticas da web, de forma a ampliar a facilidade de localização, o acesso e o reuso, de acordo com os padrões estabelecidos pelo consórcio W3C (Linked Data, 2015), Dados Abertos Interligados (LOD – Linked Open Data) e princípios FAIR (GO-FAIR, 2022).

O portal terá recursos de acessibilidade para portadores de necessidades especiais: alto contraste e descrição dos conteúdos por meio de libras.

Referências

LANZELOTTE, R.S.G. ZUMPANO, N. 2022. WIKIDATA COMO CONCENTRADOR DE METADADOS: uma parceria para a divulgação de repertórios musicais brasileiros. In: Anais do 7. Seminário de Informação em Arte. Rio de Janeiro: Redarte. https://doity.com.br/media/doity/submissoes/artigo-7138d928bb6cfe0682665e6531d5f8530f0ad54a-arquivo.pdf

LANZELOTTE, R.S.G. ZUMPANO, N. 2022. Difusão do legado musical brasileiro: a disponibilidade de partituras pela Web. In: Patrimônio Musical Brasileiro, Revista LABORHISTÓRICO, v.8, p.325 - 342. https://dx.doi.org/10.24206/lh.v8i1.46739