Bienais de Música Brasileira Contemporânea - um breve histórico - por Nivia Zumpano

Versão para download

Em 1969, Edino Krieger foi o responsável pela organização da primeira edição do Festival de Música da Guanabara. Essa iniciativa inspirou a realização da I Bienal de Música Brasileira Contemporânea, cinco anos mais tarde, com o apoio da diretora da Sala Cecília Meireles, Myrian Dauelsberg. As três primeiras Bienais foram organizadas pela Sala e, a partir de 1981, foram encampadas pela FUNARTE.

A primeira Bienal iniciou-se no dia 8 de outubro de 1975 com a apresentação da obra Estruturas Primitivas, de Ricardo Tacuchian, na Sala Cecília Meireles. O evento aconteceu entre os dias 8 e 12 de outubro, contando com a participação de 35 autores.

Entre 15 e 23 de outubro de 1977, realizou-se a II Bienal no Rio de Janeiro. Enriquecendo o evento, várias estreias de obras de autores renomados, entre eles Esther Scliar e Edino Krieger.

A edição seguinte, em 1979, aconteceu na semana de 12 a 19 de outubro. Na ocasião, o Jornal do Brasil, no Caderno B de 20 de outubro, noticiou o evento ressaltando a participação de um grupo expressivo de autores e intérpretes. As Bienais começavam a ganhar a atenção da mídia.

 

  

A IV Bienal, já sob coordenação da FUNARTE, foi realizada em outubro de 1981 e abriu espaço para diversas atividades relacionadas ao universo da música contemporânea, como palestras, lançamento de discos, debates e mesas redondas. Além das apresentações musicais, os participantes puderam compartilhar experiências e divulgar suas obras.

Tendo à frente dos trabalhos o compositor Ricardo Tacuchian, realizou-se entre os dias 4 e 12 de novembro de 1983 a quinta edição das Bienais, desta vez enfatizando a pluralidade de estilos - do neoclassicismo de Camargo Guarnieri ao eletroacústico de Vânia Dantas Leite.

Na VI Bienal, realizada em 1985, reuniram-se 67 compositores entre mestres consagrados e jovens novatos. Entre as obras apresentadas, destacam-se O Canto Multiplicado, de Marlos Nobre; Miniópera, de Henrique de Curitiba e Dramatic Polimaniquexixe, de Jorge Antunes, sempre com ampla apreciação pelo público.

A cada edição, o evento foi se consolidando no cenário da música contemporânea nacional. O número de participantes chegou a 79 compositores na Bienal de 1987. A edição foi realizada entre os dias 5 e 14 de novembro, tendo Ronaldo Miranda como coordenador do evento. Estrearam, entre outros, Rodrigo Cicchelli e o conjunto vocal Garganta Profunda. Na edição seguinte, em 1989, destacou-se a estreia da Sinfonia n.14, de Claudio Santoro.

Entre os dias 18 e 27 de outubro de 1991 realizou-se a IX Bienal. Essa edição passou a contar com um novo espaço para apresentações e outras atividades, o Salão Leopoldo Miguez da Escola de Música da UFRJ, facilitando o acesso ao evento para os estudantes de música daquela universidade.

A décima edição das Bienais contou com o número recorde de 86 compositores, realizando-se entre os dias 15 e 23 de outubro de 1993. Foram homenageados Mário de Andrade, Ascendino Nogueira, Camargo Guarnieri e Breno Blauth.

Em 1995, além das atividades musicais da XI Bienal, houve o pré-lançamento do curta-metragem "Camargo Guarnieri encantamento", de José Sette e a exibição do filme "Alberto Nepomuceno", de Humberto Mauro. O compositor Almeida Prado, juntamente com Mário Tavares, Hans-Joachim Koellreutter, Eudóxia de Barros e Cleofe Person de Mattos receberam, na ocasião, o Prêmio Nacional de Música.

A XII Bienal ocorreu entre os dias 25 de outubro e 4 de novembro, lotando o Teatro Municipal do Rio de Janeiro em seu concerto de abertura. A edição seguinte, em 1999, procurou resgatar a trajetória do nacionalismo musical brasileiro através dos tempos.

Com número crescente de compositores participantes a cada edição e um grande público interessado, as Bienais adentraram o século XXI como evento consolidado no calendário cultural carioca. Em 2001, a XIV Bienal foi disputada por mais de 160 compositores. Entre montagens de óperas, concertos e CDs, o evento revelou a nova produção musical brasileira.

Na XV Bienal, que aconteceu entre 9 e 16 de novembro de 2003, o grande homenageado foi o compositor Edino Krieger, um dos pioneiros do evento. Esta edição procurou dar maior ênfase à música de câmara e instrumental. Destacaram-se também o curso de leitura musical em Braile e a mostra de filmes e vídeos sobre música brasileira, no Palácio Gustavo Capanema.

Em 2005, entre os dias 4 e 13 de novembro, comemorou-se os 30 anos das Bienais. A XVI edição contou com grande participação de compositores jovens, bem como a edição seguinte, de 2007.

Em 2009, a XVIII Bienal contou com a presença de 110 compositores, diversos intérpretes e a presença do musicista norte-americano Tom Moore. Como destaque, a estreia mundial do Pequeno concerto para violino e cordas, de Edino Krieger.

A XIX Bienal, em 2011, prestou homenagens ao compositor Almeida Prado, falecido no ano anterior, e foi coordenada por Flávio Silva.

A edição seguinte, em 2013, continuou a confirmar o sucesso do evento e, em 2015, a XXI Bienal aconteceu entre os dias 10 e 19 de outubro, tendo como homenageados Mário de Andrade e Hans-Joachim Koellreutter.

Em 2016, durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a FUNARTE promoveu uma edição especial do evento, as Bienais Olímpicas. Na programação, quatro finais de semana com concertos no Salão Leopoldo Miguez, da Escola de Música da UFRJ. No total, foram selecionadas 23 obras de compositores consagrados como Ernst Mahle, Raul do Valle, Marlos Nobre, Tim Rescala e Pauxy-Gentil Nunes, entre outros.

Em 2017, a XXII Bienal realiza-se entre os dias 23 e 39 de outubro, com apresentação de 61 peças inéditas. Os homenageados in memoriam desta edição foram os compositores Sérgio Roberto de Oliveira (1970-2017) e Olivier Toni (1926-2017), além do embaixador, historiador e musicólogo Vasco Mariz (1921-2017).